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10 fevereiro, 2014

Morte do cinegrafista


Primeiramente, é absolutamente lamentável a perda da vida de qualquer um que esteja numa manifestação, seja trabalhando ou lutando. Mas, infelizmente, já era algo previsto, especialmente depois das Revoltas de Junho. Seja pelo despreparo e violência do Estado, através de suas forças repressoras, que ao invés de combater a própria violência só a faz aumentar, ou seja pelo uso da tática black bloc por parte de militantes.


Mas, afinal, a morte não faz parte das lutas? Quantos morreram no combate à ditadura? Quantos morreram na Primavera Árabe? Essas lutas, no entanto, tinham um objetivo claro, definido, diferentemente do que temos visto em algumas manifestações no Brasil, que mais se assemelham a uma banalização do lutar e que propiciam um jogo de violência em que os dois lados só perdem. Já apontei isso quando disse que as pautas diversas, sem liderança e sem coesão não obteve ganhos concretos no ano passado ( http://migre.me/hNWwc )

Da mesma forma, questionei qual era a real intenção dos que usam a tática Black Bloc ou daqueles que queriam ocupar o Congresso Nacional, por exemplo. Só conseguiu-se vitórias, naquele período, quem tinha pauta definida, quem sempre foi coeso e sempre esteve nas ruas.

E assim vai. O movimento #NãoVaiTerCopa, por exemplo, questiona uma competição ao invés de dar nomes aos verdadeiros corruptos e inábeis administradores públicos. A quem interessa esconder o nome dos verdadeiros culpados da lavanderia do dinheiro público?

Como também já disse outra vezes, esse tipo de movimento mais desagrega e não traz para si o apoio das massas, que não se sente representada e não se identifica com tais atos. Agora, ainda menos.


Por Leandro de Jesus

27 outubro, 2013

Sobre a tática de ação Black Blocs

Bom, se são grupos anticapitalistas, ótimo, sinal de que caminham assim como a esquerda. Se conseguem espaço na mídia para sua luta, ótimo, afinal não se faz luta apenas entre os seus. Mas até onde vai a ideologia e até onde produz resultados a tática de guerrilha no atual momento brasileiro, novamente, de refluxo das lutas de ruas? O gigante, depois de uma piscada, adormeceu novamente, é bom que se diga.
Foto: Divulgação Facebook Black Bloc RJ
Salvo engano, não se produz revolução apenas quebrando vidraças de prédios privados ou públicos. Se é apenas uma forma de manifestar contra a opressão do Estado, ótimo. Cada um solta seu grito da forma que melhor entender. Mas, a partir daí, nada?

A partir de todo o espaço midiático que ganhou recentemente, conseguiu difundir a ideologia anticapitalista ou este nunca foi o objetivo? A tática tem conseguido arregimentar mais pessoas contra a opressão do Estado ou tem afastado possíveis aliados das lutas?

Como disse Boaventura de Souza Santos, "acima de tudo, temos que entender por que surgem esses movimentos. E encontrarmos, através do diálogo, formas de ver se estas são as melhores formas de luta".

Acima de tudo, penso que devemos saber se realmente querem lutar contra a opressão ou apenas fazer barulho. Apesar do grande destaque ser muito recente, parece-me que só querem esta segunda opção, o que fortalecerá a opressão e afastará possíveis aliados.

Por Leandro de Jesus