21 outubro, 2017

Inacreditável: hospital municipal fecha as portas para crianças

O Prefeito de Poá, Gian Lopes (PR), determinou o fechamento da pediatria no Hospital Municipal
Guido Guida. Desde a última semana, dezenas de pais estão voltando com os filhos para a casa  após o atendimento ser negado. Este é o presente para a cidade em pleno mês das crianças.

O prefeito alegou dificuldades financeiras para manter o pagamento de quatro médicos pediatras, os quais estariam recebendo horas extras. Como se pode observar, para a prefeitura, é muito caro cuidar da saúde das crianças e o bem estar delas não vale o esforço do pagamento extra. 

É certo que a prefeitura deve se ater aos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal mas pouco foi feito para reduzir a folha de pessoal e preferiu-se, agora, atacar a saúde.

De acordo com a nota oficial da Secretaria de Saúde, administrada pelo vice-prefeito, Marquinhos Indaiá (PDT), as crianças só serão atendidas no hospital por clínico geral quando o caso for de urgência ou emergência. Os demais casos deverão ser encaminhados para a unidade de saúde do bairro do morador.

Então, como parece que a atual administração sofre de um apagão, se é que algum dia ela começou de fato, vamos lembrar que Poá não tem uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) ou outra unidade 24 horas. A criança, então, será atendida tão somente quando surgir vaga no agendamento da UBS da região. 

É um absurdo.

Quem prometeu tudo o que prometeu nas eleições (como pode ser visto nas imagens deste post), não pode agora alegar crise financeira. Há anos, apontamos aqui e no Jornal Plural a possibilidade de quebra do orçamento municipal com a mudança na cobrança do ISS mas nada foi feito. Ou melhor, agora foi feito: o prefeito resolveu aumentar impostos.

Vamos a mais uma lembrança. Há meses o prefeito informou que faria uma reforma administrativa e reduziria a quantidade de secretarias e demitiria os secretários adjuntos. Até hoje, tudo continua como sempre esteve. A máquina inchada de aliados políticos enquanto a saúde do município agoniza.

A crise é grave, como sempre afirmarmos que seria, mas o prefeito e seu vice já demonstram não serem capazes de administrá-la. A ruptura do poder, legado democraticamente pelo voto, deve ser feita em situações excepcionais. Diante de todo esse quadro caótico, no entanto, a cassação deveria entrar no radar do legislativo.


Por Leandro de Jesus






O que tem em comum os casos Temer e Aécio?

O Senador Aécio Neves (PSDB) é investigado por corrupção passiva e obstrução de justiça. Segundo
as investigações, ele teria recebido R$ 2 milhões em propina da JBS e atuado tanto junto ao executivo quanto no Senado para atrapalhar as investigações.

Michel Temer (PMDB), por sua vez, foi o primeiro presidente denunciado no exercício do mandato. Primeiro, a Procuradoria Geral da República o acusou de corrupção passiva ao receber recursos indevidos por intermédio de seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures.

Na segunda denúncia, Temer foi acusado pelos crimes de organização criminosa e obstrução de justiça. Seus ministros, Eliseu Padilha e Moreira Franco, ambos do PMDB, também foram acusados.

Mas, há algo em comum entre os dois casos. No Senado, a Comissão de Ética arquivou o pedido de investigação contra Aécio e os senadores derrubaram a ordem de afastamento do mandato e recolhimento noturno que havia sido determinada pelo STF.

Na Câmara, a Comissão de Constituição e Justiça, tanto na primeira quanto na segunda denúncia, votou pelo arquivamento, e assim também deve ocorrer no plenário.

Como podem diante de tantas evidências os políticos votarem num flagrante corporativismo ao invés de preservar a coisa pública?

Mas os políticos lá, tão rechaçados hoje em dia pela sociedade, não vieram de outro planeta. Todos foram eleitos nas urnas (ou quase todos, tirando os golpistas). 

E a estes, que se mostraram tão ferozes e machistas em relação a Dilma, que fora acusada de praticar tão somente as tais pedaladas, se mostram agora mansos cordeiros em denúncias gravíssimas de corrupção. 

Esses casos servem para mostrar que não se deve dar a eles o direito de serem reeleitos. Se é para agir na esfera pública como se privada fosse, que nunca mais voltem a nos representar. Se é para rasgar a Constituição e demonstrar qualquer desprezo pela ética e pela moralidade, que sejam punidos pela escolha do voto.

Fica a dica e a responsabilidade para as próximas eleições.

Por Leandro de Jesus
Foto: Valter Campanato - A/br

13 outubro, 2017

Política e lucro na história do homem nu no museu

Se vocês querem entender como funciona uma fábrica de cliques, de fake news e de mobilização de
massa, pouco instruída ou pouco atenta, vejam como funcionou a pseudo polêmica da apresentação artística de um homem nu no MAM.

Grupos organizados difundem constantemente falsas polêmicas, com letras garrafais, títulos escandalosos e memes com comparações tão incorretas quanto sensíveis e cativantes aos desatentos. Normalmente, os integrantes desses grupelhos se comportam como os defensores da moral e dos bons costumes.

Tais grupos ganham enorme audiência e muito dinheiro com a boa fé dos outros e procuram capitalizar sua imagem com assuntos que, na prática, pouco lhes interessam de verdade. Uma prova tão contundente quanto recente disso é o quase desprezo pela criança encontrada na cela de um estuprador, no Piauí. Outra prova é se dizer indignado com o ato e constranger a criança compartilhando a imagem dela por todo o canto o que, de fato, fere o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Eles, entretanto, querem mais. Querem o poder político. E você na onda, querendo ou não, contribui para isso.

Veja quem divulga as polêmicas e se de fato os direitos da infância, humanos, sociais, aos quais tanto se dizem preocupados, não são usados apenas para o espetáculo. Se não são usados apenas para lhe atrair para a rede de seguidores deles. Ou você acha que é gratuita essa profusão de textos, memes e vídeos?

Certamente, não. E se você ficar desatento, cairá facilmente na rede desses que, de bem, pouco tem.

Por Leandro de Jesus

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