O pior alagamento da história em Poá e o descaso do poder público

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Se o ano passado foi difícil para muitos, 2016 começa trazendo um cenário de destruição e desolação
em diversos bairros de Poá. Em termos de perdas, já é possível afirmar que a cidade sofreu neste sábado (09) o pior alagamento da história. Famílias perderam bens, comerciantes tiveram prejuízos nas mercadorias e a infraestrutura pública de praças, calçadas e muretas foi toda abalada na região central. De início, já afirmamos: a chuva foi muito forte mas as perdas (e o sofrimento) poderiam ser minimizados.

Em um balanço parcial, obtido pelo Jornal Plural, 120 famílias foram afetadas diretamente. Duas estão desabrigadas e quatro residências ruíram com o deslizamento de terra. O número é apenas parcial, uma vez que milhares de pessoas foram prejudicadas com o transbordamento de rios e córregos da cidade.

A chuva realmente foi forte. "Segundo informou a Secretaria de Segurança Urbana, choveu 86,2 milímetros em pouco mais de uma hora. Só para se ter uma ideia, o volume de água é o equivalente a um terço do previsto para chover em todas as represas do Sistema Alto Tietê". Vale lembrar que centenas de casas e comércios foram construídos ao redor do Rio Itaim e, em épocas de cheias, inundações e alagamentos, rio transborda ocupando o seu entorno.

Apesar disso, cabe ao poder público atuar para minimizar danos e não somente culpar a natureza. E não se trata também de dizer que isso sempre ocorreu ao longo de diversas gestões. A atual administração do município tem um orçamento público anual de quase R$ 400 milhões. Só para comparação, o último ano da administração Roberto Marques (DEM) tinha um orçamento que beirava os R$ 80 milhões.

Mas, diante desta realidade, quanto menor poderia ser o impacto e o prejuízo? Não faltam exemplos de ações do poder público que poderiam ser tomadas:

- Poá entra agora no oitavo ano da administração da dupla Testinha/Marcos Borges. Há anos a população vive sob a promessa da inauguração do piscinão. A obra custa em torno de R$ 50 milhões e anda a passos lentos, ou praticamente, não anda. E pior, de acordo com as fotos da população, a área da obra já estava cheia antes mesmo da chuva deste sábado, sem qualquer drenagem. Especialista ouvida pelo Blog de Poá confirma que esta situação aumenta o impacto das chuvas em toda a região central. "Uma das funções de um piscinão é justamente controlar os impactos das chuvas, e não piorar a situação. Com tanta tecnologia que temos hoje, inclusive previsão do horário que a chuva vai cair, daria muito bem pra gestão pública fazer algo", explicou

- Onde está o plano de emergência da Defesa Civil ou o grupo de crise? Por que mesmo com a possibilidade de previsão de chuvas, a prefeitura não colocou sua equipe para atuar? As sirenes que foram implantadas há alguns anos funcionaram? Por que ruas não foram fechadas, carros guinchados e os comerciantes avisados antes de a água subir ? Por quê? Por quê?

- Onde estão aqueles planos de abrirem um canal paralelo ao Rio Itaim ou mesmo reabri-lo? Nada disso foi colocado em prática.

- Por que a administração não reabriu o Rio Tucunduva, conforme prometera? Por que não se mexe com interesses de comerciantes e influentes políticos? Seria essa a causa?

- Por que não há uma equipe preparada para atuar em emergências? O blog apurou que as equipes da Secretaria de Segurança não estavam dando conta de tanta demanda. Para se ter ideia, não havia atendimento de plantão na Assistência Social.

São muitas questões agora e, como de costume, pouco será feito. 24 horas após o alagamento, o Prefeito Marcos Borges (PPS) sequer emitiu uma nota oficial. Daqui a pouco, oferecem um aluguel social aqui e outra mísera indenização ali. Mas resoluções dos problemas, ou ao menos um planejamento decente de redução de danos, nunca saíra do papel enquanto a cidade continuar com políticos descompromissados em pensar uma cidade para o futuro.

Histórico

O Blog de Poá sempre acompanhou o assunto e denunciou a inação do governo municipal. Em 2008, tratamos da falta de estrutura para escoamento das águas da chuva. Falamos das fortes chuvas de 2010Em julho daquele mesmo ano, reforçamos que nada ainda havia sido feitoEm 2011 divulgamos um artigo no qual dizíamos que era fácil culpar a natureza. E as ações preventivas? Falamos das várias reuniões da prefeitura que não se concretizaram em obra alguma Em fevereiro de 2014, tratamos dos alagamentos e dos eventos que contribuíram para a tragédia com a completa anuência da prefeitura. O título do artigo foi "Ano Novo, enchentes novas, políticos velhos". O descaso com a segurança dos cidadãos é tanto que foi necessária uma Ação Civil do Ministério Público para que a prefeitura tomasse vergonha e providenciasse obras, como relatado no fim de 2013

Por Leandro de Jesus
Fotos: Delcimar Ferreira/Jornal Plural

2 comentários:

Marcio Bonami da Silva disse...

E vocês ainda acreditam em coelhinho da pascoa?, uma péssima administração vem atuando a anos em nossa cidade e ninguém faz nada para mudar, e ainda sofremos com aumento abusivo de IPTU todos os anos e não temos nenhum apoio de nenhum vereador, resumindo nossa Poá está a Deus dará, rezemos para que não venha uma nova chuva igual a de sábado ou vamos acabar perdendo o que nos restou, estou indignado com essa nossa administração.

Caol disse...

Quem sera os candidatos a prefeitura de poá nesse ano 2016 alguém sabe ?

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