Dilma x Aécio: mudar é preciso, retroceder é inaceitável

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É preciso manter os avanços, ainda que tímidos, do governo petista
e derrotar Aécio, que representa um retrocesso brutal

O Brasil pede mudanças. A mudança que o Brasil precisa, no entanto, não está no segundo turno, mas
precisaremos decidir entre continuidade ou alternância no Poder. De início, é preciso dizer que todos tem elementos suficientes para dizer que os governos do PSDB, disfarçados de mudança, trazem consigo a marca do atraso, da redução do Estado brasileiro, da espoliação do patrimônio público, da criminalização dos movimentos sociais, do avanço da violência e do abandono à margem dos programas sociais, tão necessários ao país. Não faltam exemplos dessas tragédias.

Quem é aposentado ou vive de salário mínimo sabe bem o sofrimento que era obter qualquer reajuste no governo FHC e as mágicas necessárias para multiplicar os poucos reais e fazê-los render durante o mês. Lembram quando o ex-presidente chamou aposentados de vagabundos? Outros milhões nem sabiam o que era isso, pois viviam no pleno desemprego. Um dos grandes acertos do governo petista foi promover anualmente reajustes ao salário mínimo (70% de ganho real em 12 anos), medida que permitiu a redução da pobreza e combateu a desigualdade.

Servidores federais também viveram na penúria. Anos e mais anos sem reajuste, seguidos da precarização do serviço público e da ampliação da política de terceirização, que retira a capacidade do governo de administrar e promove a redução da qualidade na prestação de serviços. Outro acerto do governo do PT foi ampliar consideravelmente a contratação via concursos públicos (221 mil em 12 anos)* e, embora sob greves, garantiu o mínimo de recuperação salarial perdida nos anos FHC, o que garantiu que a máquina pública não entrasse numa falência total. Hoje, temos empresas públicas federais fortes e respeitadas, diferente do que acontecia nos anos 90.

A privatização é também marca registrada dos governos do PSDB, nas esferas federal ou estadual. Diante da incompetência em administrar empresas públicas, vendeu a preço de banana diversas estatais, jogando no lixo o patrimônio público conquistado durante anos. Os processos de venda, feitos sob negociações nebulosas, são hoje chamados de privataria tucana. O governo petista optou por fazer concessões, garantindo assim que o patrimônio público continue sendo do governo.

As crises econômicas são cíclicas e afetaram tanto os governos tucanos quanto petista. Neste caso, instituições sólidas permitem resistir aos efeitos da crise e os bancos públicos foram peças fundamentais a partir de 2008 na redução de juros , liberação de crédito para ampliação do consumo, aumento da produção e investimento. O governo do PSDB, todos sabem, só não vendeu a CAIXA e o Banco do Brasil porque não houve tempo, conforme registrou na época no Ministério da Fazenda. Mas nos estados onde governou, venderam  bancos públicos lucrativos, a exemplo do que ocorreu em São Paulo.

A corrupção, por sua vez, é elemento fundamental do capitalismo e de um sistema eleitoral movido a financiamento privado de campanha. É enganar o eleitor dizer que a corrupção é obra de partido A ou B. Dessa forma, é possível indicar tantos crimes de corrupção em governos do PSDB quanto nos do PT. Compra de votos pela reeleição, Trensalão ou Mensalão Mineiro são apenas alguns exemplos carimbados por governos tucanos. A diferença está em permitir, sem interferência do governo, a investigação e punição dos responsáveis. Sabemos bem que a Polícia Federal hoje está forte e o Ministério Público Federal independente para denunciar. E antes ? Quantos políticos foram presos na década de 90?

Mas a inflação no Brasil está alta, dirão alguns com outros argumentos. Depende do ponto de vista. Em 2002, por exemplo, FHC deixou o governo com uma taxa de 12,5%, quando atualmente são 6,5%. E a taxa oficial de juros? Está em 11%, o que não é bom, mas no governo FHC chegou a estratosféricos 45% a.a.

Mas na área de segurança o Aécio promete centros de inteligência policial e mais recursos. E por que então não fez isso em Minas Gerais? Lá, entre 2003 e 2013, a taxa de homicídios aumentou 52%. Em São Paulo, gestão exemplo das administrações tucanas, o número de roubos cresceu pelo 15º mês consecutivo e o sistema prisional é conhecido por ser dominado por uma facção criminosa. E nos governos tucanos de SP, para pobre e sem-teto, por exemplo, a política social é só tiro, porrada e bomba.

Na educação, só para citar um dado, com o programa de expansão, as universidades federais dobraram a oferta de vagas**. Eram 109,2 mil em 2003 e chegaram a 222,4 mil em 2010, e, até 2014, foram criadas 18 universidades federais.

Por fim, nos governos do PSDB faltam o mais essencial, luz e água. O apagão em todo o Brasil e o racionamento de água em SP diz muito sobre o choque de gestão tucano.

Nesse cenário, contudo, todos conhecemos também o limites de um governo do PT, que rasgou caras bandeiras históricas em 12 anos no governo federal, aliou-se ao conservadorismo, coronelismo e administrou tão bem o capitalismo brasileiro para as poucas famílias que vivem do lucro às custas do erário público. Aliás, seguiu a cartilha dos governos do PSDB em todos esses pontos. Os erros do governo petista não se apagam assim como as críticas que sempre fizemos e continuaremos a fazê-las.

É claro que é preciso mudar e milhões pediram isso nas ruas em 2013 e nas urnas em 2014. Não podemos, no entanto, mudar para pior. As diferenças ainda existentes entre tucanos e petistas permitem considerarmos: é preciso manter as conquistas e os tímidos avanços do governo petista e derrotar Aécio, que representa um retrocesso inaceitável.

Por Leandro de Jesus


**MEC
Foto: Agência Brasil

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