Transporte público x Globo

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Somente na semana passada, após o jogo entre SC Corinthians Paulista e Bahia, é que houve uma grande
discussão sobre como viabilizar o retorno de torcedores de partidas que se iniciam as 22h. Naquele jogo, vários torcedores tiveram de sair antes do fim do jogo e muitos outros perderam o horário do último Metrô.

Num país sério, qual seria a atitude mais sensata? A rede de televisão que transmite a competição alteraria a grade de modo a permitir o início das partidas mais cedo, em horário que privilegie a participação do torcedor nas arquibancadas e do espectador em casa.

Num país zoneado, como o Brasil, altera-se a logística do transporte público de massa, interferindo no já exíguo período de manutenção de vias e trens. Ainda na semana passada, o Metrô havia dito que não era possível ampliar o horário de operação para não prejudicar a inspeção e reparos. Para nossa surpresa, não é que nesta terça (29) decidiram ampliar a jornada em dias de jogos.

Na Argentina, por exemplo, o governo interveio e quem transmite o futebol é uma TV pública. São quase 10 partidas ao vivo durante a semana, em horários diversos. No Brasil, quem apita é a Globo. E se for mudar, que se altere o transporte público de milhões de passageiros, porque a emissora não vai perder os milhões em publicidade no horário nobre das novelas.

Há governos que peitam os barões da mídia, como na Argentina. Há outros, como no Brasil, que sucumbem ao poder deles.

Por Leandro de Jesus

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