Ano Novo, enchentes novas, políticos velhos

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Publicado no Notícias de Poá

Não foi com surpresa que os moradores de Poá receberam as enchentes nesta última quinta-feira, dia 25. Os poaenses, infelizmente, já estão acostumados com o caos, mas a novidade deste ano foi a expansão das águas para diversos outros bairros além do centro. Também não foi surpresa constatar que, no sexto ano da gestão, as promessas do governo Testinha (SDD) para acabar com o problema não passaram de discurso eleitoral.

As maiores enchentes na região nos últimos anos ocorreram em 2008, 2009, 2010 e 2011. Nos dois últimos anos houve uma trégua da natureza, mas pode-se constatar que efetivamente pouco, ou quase nada, foi feito de infraestrutura para minimizar os prejuízos de moradores e comerciantes. Na quinta-feira, carros e casas sofreram com inundação na região central, na Vila Varela, Calmon Viana e Nova Poá.
Foto: Julia Valsecchi
E pasmem. Sabe um dos motivos para o aumento do nível das águas e o consequente baixo escoamento na cidade? Segundo a prefeitura, a concessionária das obras do Trecho Leste do Rodoanel, que passa por Poá, represou um trecho do rio Itaim para criar passagem para veículos e máquinas. A própria prefeitura não tomou qualquer atitude efetiva para impedir isso, mesmo sabendo que a cidade sofre nesse período de chuvas de verão. É ou não um ato de improbidade administrativa de quem autorizou esse fechamento? Quem vai arcar com os prejuízos que tiveram trabalhadores, moradores e comerciantes?

Desde setembro a administração municipal já sabia que algo poderia ocorrer. Naquele mês, o Notícias de Poá, na edição 1573, apontou que o bloqueio do rio poderia levar a ocorrência de inundação em diversas áreas do município. A prefeitura então apenas notificou a concessionária e, pelo que observamos nada de concreto para sanar o problema foi realizado.

Aliado a isso, as obras de alterações do leito do rio Itaim para construção do piscinão, que deveriam ajudar a escoar as águas, demonstraram não ser eficazes. É bom lembrar ainda que a construção do piscinão, que se iniciou apenas em 2012, segue parada. Apesar de liberados os recursos federais, o executivo municipal resolveu no “meio do jogo” mudar o projeto original e dessa forma, nada vem sendo feito. O local transformou-se num canteiro cheio de sujeira, entulho e criadouro de pernilongo, que tanto incomoda os moradores de toda a região.

Entre outras promessas, Testinha também planejou criar um leito artificial do rio Itaim, paralelo ao atual trecho, que também não foi feito.

Certo mesmo é que os políticos vão querer novamente culpar a natureza. Vão dizer que as chuvas foram fortes demais e não havia possibilidade de previsão. Mais certo ainda é que essa velha desculpa não cabe mais diante das tecnologias disponíveis para prevenção e minimização dos impactos.

Essa velha política de não prevenir, apenas remediar, não interessa mais à população. As promessas vazias, inclusive repassadas pela imprensa, sem a devida crítica, servem para ganhar votos, mas não resolve o prejuízo dos cidadãos. Quem sabe, assim como no caso das remoções, uma ação judicial obrigue aos governantes tomarem atitudes mais rápidas, responsáveis, sustentáveis e eficazes. Discurso, apenas, ninguém aguenta mais.

Por Leandro de Jesus

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