Independência de que se o país vive muito semelhante à colônia?

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Foto: Leandro de Jesus
Grito dos Excluídos - Brasília
Morrem negros hoje tanto quanto na época da escravidão. Talvez menos. O trabalho escravo era útil para a Casa Grande. Só um exemplo: em 2010 no Distrito Federal, das mortes violentas, 89% foram de negros. No entorno, em Águas Lindas, foi 100%.


Os grandes latifúndios e monoculturas ainda persistem nas mãos de poucos ao mesmo tempo em que milhares de camponeses buscam apenas um pedaço de terra para plantar, colher e se alimentar. Nestes mesmos latifúndios, não é raro encontrar regime análogo à escravidão, palavra bonita para designar os escravos modernos.

Nas zonas urbanas, milhões vivem sem habitação ou em condições absolutamente precárias. Independência de que?

Conhece as condições dos navios negreiros? Olhe para um trem ou ônibus lotado nas periferias.

Recentemente, a classe média conheceu um pouco do que ocorre cotidianamente nas periferias: a mão forte do Estado que usa a força para reprimir violentamente qualquer voz que se levante contra o status quo. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Independência de que?

Nosso parlamento? Qual a diferença do nosso para aquele do período colonial? Abutres que se locupletam do poder, legislando em causa própria e em benefícios do pares e que, de vez em quando, faz uma ou outra ação para enganar a plateia que silenciosamente assiste via show midiático.

País moderno, dinâmico, economia forte? Temos uma nação onde mais de 700 municípios vivem sem ter um médico em postos de saúde. E quando surge um alternativa, contando com a solidariedade internacional, a Casa Grande, que banca custosos planos privados, grita ferozmente para impedir um mínimo de dignidade aos rincões do país. Independência de que?


Por Leandro de Jesus

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