Para repensar o futebol no Estádio Mané Garrincha

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Na semana passada, no jogo do Flamengo contra o São Paulo, imagens de destaque foram o espancamento de um flamenguista, observado passivamente por policiais. 

Neste domingo, dia de Corinthians e Vasco, um supermercado foi saqueado em Taguatinga (DF). Os donos acusam os torcedores da Gaviões. No fim do primeiro tempo, sem qualquer barreira de segurança, já que não há barreiras físicas na arena, torcedores de organizadas corintianas atravessaram o estádio para brigar com os vascaínos organizados, que estavam em menor número. Dessa vez, a polícia agiu rápido mas ainda assim teve violência e feridos. Não dava para ter previsto?

A venda e retirada de ingressos é de descaso inominável. Com valores estratosféricos, longe do que é padrão no futebol brasileiro, não se obtém retorno em serviços daquilo que é pago. 

Compra-se pela internet e não há qualquer benefício. Todos tem de pegar filas de até 3 horas para retirar em poucos pontos com raros funcionários. Desde o jogo de Flamengo e Santos, em maio, a reclamação sempre é a mesma, inclusive no jogo da seleção. Hoje, muitos torcedores só conseguiram retirar ingressos após os 30 minutos do início do primeiro tempo. 

Faltam informações, sinalização e pessoas capacitadas para atenderem a milhares de torcedores.

O público também não tem sido mais o que desejam os organizadores. 20 mil expectadores acompanharam o jogo deste domingo. O Flamengo já jogou para 12 mil pessoas, contra a Portuguesa. Certamente o público seria maior, considerando o contexto de Brasília, e consequentemente a arrecadação, se os ingressos fossem a valores justos e serviços condizentes com a demanda.

Mas, nada de novo. A CBF não está nem aí. Os clubes mandantes só pensam na renda e vendem os jogos a empresas. Resta atuação mais forte do PROCON para garantir os direitos do consumidor e direitos do Estatuto do Torcedor, além de planejamento mais eficaz da Segurança pública e dos clubes para conter as sempre esperadas brigas entre torcedores

Do contrário, cada vez menos pessoas irão prestigiar o futebol nas novas arenas, nas quais foram investidos bilhões de reais de recursos públicos.

Por Leandro de Jesus

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