Papa Francisco: "Um jovem que não protesta não me agrada"

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"Um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados".

Essa foi uma das muitas mensagens que o Papa Francisco deixou aos jovens que acompanharam a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Não se esperava dele mensagens revolucionárias, de radicais reformas ou mudanças de dogmas ou procedimentos da Igreja, pois o papado é por natureza essencialmente conservador. Quem deve tornar a Igreja progressista, se é que isso é possível, são justamente esses jovens católicos. Mas Francisco indicou como deve ser a administração da igreja sob seu comando, menos apegada ao material, mais próxima das comunidades e preocupada com os jovens e a pobreza que ainda assombra parte da população mundial.

Especialmente num momento em que parte da juventude brasileira foi às ruas demonstrar insatisfação geral de como são conduzidas as políticas públicas, os recados do Papa vão ao encontro deste novo período. Ao menos, serve para a juventude católica se mobilizar e serem também agentes da transformação, dos questionamentos e da inquietude.

"Jovens tem uma sensibilidade especial frente as injustiças. Nunca desanimem, não percam a esperança. No coração jovem de vocês, existe o desejo de construir um mundo melhor. Acompanhei atentamente as notícias a respeito de muitos jovens que, em tantas partes do mundo, saíram pelas ruas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Os jovens nas ruas querem ser protagonistas da mudança. Não deixam que outros sejam protagonistas, sejam vocês', afirmou Francisco.

'Peço que vocês também sejam protagonistas, superando a apatia e oferecendo uma resposta cristã às questões políticas que se colocam em diversas questões do mundo. Envolvam-se num mundo melhor. Não sejam covardes, metam-se, saiam para a vida. Jesus não ficou preso dentro de um casulo. Saiam às ruas como fez Jesus', insistiu o papa.

Enfim, Francisco mostrou a que veio. Quer mudanças e uma igreja diferente daquela que vinha sendo conduzida por Joseph Ratzinger. A conferir.

Por Leandro de Jesus
Foto: Tania Rêgo/ABr

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