Enquanto te exploras, tu gritas gol e #VemPraRua

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De repente, e mais do que nunca, muita gente nas redes sociais deixou de gostar de futebol (o circo, o ópio, como dizem) no bojo das manifestações que tomaram conta das ruas brasileiras e ao mesmo tempo em que ocorria a Copa das Confederações. Nada mais tolo, simplista e maniqueísta do que associar a torcida ao Brasil a alienados e aos neo-revolucionários aqueles que contra a seleção torceram ou a ignoraram.

É tão falso generalizar que a massa de torcedores é alienada quanto dizer que todos os manifestantes são revolucionários e progressistas. Muito pelo contrário, especialmente nesse último grupo.

O futebol faz parte da cultura popular brasileira. A bola é um dos primeiros brinquedos de milhões, se não o único. Esse esporte demonstrou na sua história como pode ser espaço de práticas coletivas, democráticas nas quais se destacam não necessariamente os que possuem maior poder aquisitivo. E mais, no campo político, também há ações de destaque oriundas do futebol. A Democracia Corintiana, liderada por Sócrates, é exemplo nítido de que é possível grandes atitudes além das quatro linhas.

Nada impede, porém, as devidas e corretas críticas e denuncias. Não é incorreto fazer uma Copa do Mundo no Brasil. O que é inescrupuloso é o alto custo, é a prática de corrupção e conluios envolvidos nos mega desvios de recursos públicos nas construções de estádios e dos elefantes brancos, como serão, por exemplo, as arenas de Brasília, Manaus ou Cuiabá. Mais criminoso ainda é custear essas obras, tão somente com recursos públicos, e depois repassar as arenas para que a iniciativa privada goze dos lucros, transformando os palcos de futebol em espaços elitizados, como já se encaminham.

Nada impede também criticar os convocados, o técnico ou mesmo o presidente da CBF, "amigão" da ditadura militar no Brasil e flagrado "embolsando" uma medalha de jogador na final de uma Copa São Paulo. Ou mesmo fazer atos em frente aos estádios.

Mas, é possível sim reunir amigos para o lazer, confraternizar, torcer e, ao mesmo tempo, estar atento aos desvios de conduta, sejam eles dos políticos, da CBF ou federações que dirigem o esporte. Há espaço para todos nesse campo, menos para o senso comum e generalidades disseminados por aqueles se acham os críticos do momento.

Como disse Tico Santa Cruz, líder da banda Detonautas, "é possível torcer pela sua seleção, e ao mesmo tempo ter consciência de que como cidadão temos também o dever e a responsabilidade de lutar por um país mais justo, mais digno, onde nossos direitos sejam respeitados, onde os impostos sejam revertidos para seus devidos fins. Podemos ser cidadãos e torcedores, o que não podemos é ser só torcedores", finalizou

Nada mais exemplar disso do que os figurantes, tão criticados nas redes por trabalharem gratuitamente na Copa, que fizeram em plena final da competição uma das mais famosas manifestações dos últimos dias, como pode-se ver na fotos ao lado. Agora, eles são elogiados por estes mesmos que os criticavam.

Parafraseando, portanto, aquilo que é espalhado na internet, é sim possível dizer: enquanto te exploras, tu gritas gol e também #vemprarua.

Por Leandro de Jesus

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