O povo acordou? A revolução chegou? Verás que o filho não foge à luta?

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Calma, sejamos serenos na avaliação do que ocorre em todo o país. O povo ainda não acordou, a revolução ainda não chegou e esses filhos precisam sim se engajar na luta.

Mas essas enormes manifestações, jamais vista na história recente do país, não se tratam apenas de questionar um reajuste de R$ 0,20 em tarifa de transporte. O movimento ganhou folego quando pares fizeram questionamentos e dessa forma muitos outros tomaram coragem para ir à ruas apresentar também as suas insatisfações, inquietações e revoltas. 

Tais sentimentos ganham força especialmente porque o modelo de democracia em que vivemos não nos basta. As importantes decisões de nossas cidades, estados e país são decididas em conchavos de gabinetes. Não há real democracia e muito menos espaço, incentivo e educação para participação popular.

A transparência ainda é apenas peça burocrática nas administrações, permitindo que corruptos continuem impunes e milionários às custas do erário público. A Ficha Limpa ainda não pegou.

A violência corrói a vida de jovens, especialmente negros e pobres de nossas periferias, muitas vezes patrocinada por agentes do Estado. Violência essa, praticada publicamente na quinta, dia 13, que serviu de combustível para incentivar a participação de novos manifestantes.

A falta de projetos culturais, transporte, emprego decentes e perspectivas, mina sonhos e frusta desejos de nossa juventude. Resta, muitas vezes, apenas a insatisfação por não poder explorar o potencial, seja por meio da arte, da educação, da ciência ou da política.

Assim, as manifestações a cada dia ganham as mais diversas bandeiras, os mais diferentes sentimentos são expostos. É coletivo mas ao mesmo tempo desconexo.

De tudo, serve como alerta e como um claro recado. É preciso mudar. O poder público existe para nos servir e não para os políticos se servirem.

A revolução ainda não chegou. A Bastilha (Congresso) brasileira foi ocupada mas não derrubada. Para que a revolução seja concretizada, os questionamentos, atos e protestos não podem ser apenas moda de verão, mas devem se tornar parte do dia-dia, virar lutar popular real.

Por Leandro de Jesus

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