Estado falido não dialoga, reprime com violência

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Jornalista baleada - Foto: Diego Zanchetta/Estadão
O povo vai às ruas, cansado de ser tratado como gado em transporte público, caro, lotado, sem qualidade. O Estado, falido, que não é capaz de controlar manifestação democrática, é truculento, violento e promove barbárie em pleno centro da capital mais "desenvolvida" do Brasil. O Estado existe para se antever, dialogar, planejar, organizar e por em práticas políticas para o bem coletivo, além de tratar os desiguais de forma desigual. Isso não existe em São Paulo, é utopia. As cenas desse dia 13 são de horror.

O aumento de R$ 0,20 nas tarifas de ônibus, metrô e trem é apenas o estopim para as enormes manifestações nas ruas. Quem precisa trabalhar ou estudar enfrenta transporte lotado desde as 4 ou 5h da manhã. É desumano. O cidadão chega aos compromissos já exausto pela maratona. Não há qualidade de vida, apenas perda de saúde. O Estado e parte da mídia grande fingem não ver. Bilhetes únicos, transferências gratuitas não resolvem os problemas para essa massa que sai das periferias para trabalhar nos grandes centros. Infelizmente, nossas cidades não priorizam transporte público.

Decerto, alguns poucos manifestantes até extrapolaram, num ato emocional, talvez já num ato de grito, de desespero para chamar atenção ao caos do transporte público. Eles podem errar. Se houve excesso de uns, nada, porém, justifica a violenta repressão a todos por parte do Estado. Este, por sua vez, não tem o direito de errar. Seria despreparo das forças públicas ou uma ação política deliberada do governo?

A violência estatal atingiu jornalistas que trabalharam nas manifestações. Alguns foram presos e outros feridos com tiro no rosto, algo comum apenas em ditaduras. Veja balanço dos feridos da Folha de S. Paulo. Pasmem, o jornalista Piero Locatelli da Carta Capital foi preso por portar vinagre em sua mochila. Sim, inacreditável. Veja AQUI o vídeo. "No exercício do jornalismo fui tratada como criminosa em cobertura de protesto contra tarifa de transporte público em São Paulo. Mas nem os criminosos devem ser tratados assim", conta a repórter Gisele Brito. Veja AQUI. Outro VÍDEO demonstra o ataque gratuito aos profissionais da imprensa. Um fotógrafo corre o risco de perder a visão.

Não são poucos os relatos de que a manifestação era pacífica e o confronto iniciou após a PM jogar bombas e atirar nos jovens. Muitos gritavam "sem violência". Neste VÍDEO, jovens ajoelhados são atingidos por tiros.

A violência midiática de ontem não difere muito do que ocorre na periferia, diariamente. Em seu blog, Azenha relata essa experiência descoberta agora pela classe média paulistana.

"Manifestantes não podem ser presos sob acusação de formação de quadrilha, crime inafiançável. Se isso vier a prevalecer, estaremos entrando num cenário de ditadura contra a luta social. Será um novo AI-5, o instrumento que faltava para a tão sonhada criminalização dos movimentos sociais que vem sendo arquitetada há tanto tempo pelas forças conservadoras do país", disse Rovai em seu Blog. No último balanço, havia aproximadamente 200 prisões e cerca de 100 feridos.

A Anistia Internacional demonstrou em nota seu temor aos acontecimentos em São Paulo. "Também é preocupante o discurso das autoridades sinalizando uma radicalização da repressão e a prisão de jornalistas e manifestantes, em alguns casos enquadrados no crime de formação de quadrilha. O transporte público acessível é de fundamental importância para que a população possa exercer seu direito de ir e vir, tão importante quanto os demais direitos como educação, saúde, moradia, de expressão", diz o texto.

Não há outro termo a dizer, o Estado comprova sua falência utilizando da pior forma seu direito ao uso do monopólio da força. O cidadão pode, mas o governo não tem o direito de errar. Se há alguém que deva ser julgado nesse momento, são os governantes que se omitem diante da violência. Ou melhor, em seus gabinetes,  aplaudem a guerra urbana. 

Devemos continuar intolerantes. Intolerantes contra essa política oficial de Estado, que dissemina a barbárie.

Por Leandro de Jesus

PS: O que explica um policial quebrar o vidro de sua própria viatura, flagrado em VÍDEO que corre na internet?

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