AQUI, PROVIDÊNCIAS JÁ .... #SANTAMARIA

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Domingo, 27, certamente um dia muito dolorido para todos nós que acompanhamos as notícias da tragédia numa boate em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Já passam de duas centenas as jovens vidas que se foram no acidente. O momento lá é de amparar as vítimas e familiares. Certamente, as investigações responderão sobre culpados ou não.

E aqui, que lição se pode ter diante de uma situação dessas, se é que exista algo de positivo? A comoção gerada poderia muito bem ser transformada em ação pelos agentes públicos, responsáveis por liberações e fiscalizações de espaços nas cidades. 

Desde já, todos administradores deveriam revisar os alvarás, licenças e demais documentos que liberam espaços de grandes aglomerações: boates, bares, teatros, cinemas, igrejas, ginásios e estádios. 

Não se pode brincar com a vida. Um descuido, uma falha na segurança, pode gerar a morte de muita gente e, de certa forma, acabar um pouco com a vida dos familiares que ficam. Todos podem se divertir e é dever do Estado preservar a segurança e cobrá-la eficazmente dos agentes privados.

Que tragédias assim não mais se repitam.

Leandro de Jesus

Segue depoimento de Ezequiel Real, um dos jovem que esteve na balada:

Nunca imaginei que uma brincadeira daria nisso! 

Acompanhei o início do fogo que veio das faíscas do sparkles e se propagou pelo teto nas esponjas do isolamento acústico. Não me apavorei porque não achei que poderia lidar com a situação, mas vi muita gente entrar em pânico, cair e desmaiar umas por cima das outros, era um mar de gente atirada. Vi que muita gente em crise acessou a porta mais próxima, que era a do banheiro e se alojaram lá dentro. Vi pessoal que trabalhava se escondendo até dentro de freezers! Quando vi que não tinha mais jeito de sair pela saída principal dei a volta na areá vip e sai pela lateral empurrando e pisando por cima de muita gente, acredito que não sairia se não fosse pela força que utilizei para passar pelas pessoas, ao sair olhava para baixo e via que pisava e cruzava por cima de mulheres e homens desmaiados. 

Foi uma merda sair por uma porta de no máximo 2 metros e ainda com uma mesa atravessada e todos aqueles corrimões atravessados no meio do caminho. Não vi alarme soando, só gritos, não vi luz de saída, só fumaça. Quando sai me passou na cabeça as pessoas que passei por cima e voltei para retirá-las pois não agüentava escutar berros, ver policias e bombeiros sem dar conta, porque tinha muita gente empilhada. Quando entrei tinha que escolher quem salvar, mas até aí não tinha passado na cabeça a MORTE.

Muita gente apavorada e nenhuma organização, tivemos que levar muitas pessoas desmaiadas no colo até o topo daquela subida para largar dentro de ambulâncias, uma estratégia deveria ser montada faltou para aproximar atendimento das vítimas, mas não culpo porque mal cabia duas pessoas dentro de cada ambulância

Sem ter saída para a fumaça e não podendo ver mais ninguém para poder ajudar começamos a abrir um buraco na parede, arrancar madeiras, grades, janelas destruíramos o isolamento acústico. Ao abrir o buraco na parede para entrar no caixa e um bombeiro me convidou para entrar porque sozinho não conseguiria tirar as pessoas. Entrei e pela primeira vez vi a morte pessoalmente. Vibrava a cada pessoa que saia, mas eu via que nenhum estava com vida. Vizinhos me molhavam e molhavam panos para que eu pudesse entrar mais para o meio da boate, logo um enfermeiro do SAMU me pediu para sair lá de dentro, pois tinha risco de desabar. 

Não acreditei e ele me mostrou que todos que saiam daí para frente estavam mortos, mesmo assim voltei, peguei uma lanterna com um policial e voltei para ver se alguém se mexia ou pedia socorro. No primeiro momento que liguei e foquei a luz na área vip vi muitos corpos, não sabia mais o que fazer, perdi forças porque vi gente pendurada em grades, vi pessoas empilhadas uma por cima das outras e não era uma ou duas dezenas, era muita gente.

Imagem que nunca apagarei da minha cabeça, não tive força física para ficar ali e tive que sair derrotado de dentro daquele buraco, não entendi a noção e o tamanho da tragédia. Vim abatido para casa, pois não agüentava a dor nas pernas e na cabeça. Acordei agora ao meio dia com amigos atrás de mim, liguei a tv e vi a relação de pessoas mortas.

Queria ter feito mais! Mas sei que tanto eu quanto meus amigos e voluntários deram o máximo. Agradeço a todos, pois são irmãos que abraçaram a causa e davam sangue pelas vítimas. Eduardo Flores da Silva Eduardo Buriol de Oliveira Matheus FettermannAndré Luis Kettermann Coutinho Kassio Lutz Marcos Vinicius Soquetta Jeferson Ribeiro Lima Caixa Anderson mtos outros desconhecidos bombeiros policiais e todos os voluntarios profissionais da saúde.

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