AS CIFRAS MOLDAM A INFORMAÇÃO

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Por Arthur Stabile

Não há como negar que os governos têm influência nos meios de comunicação, isto é completamente escancarado. É mais do que evidente a “metida de bedelho” feita pelos políticos, com a intenção clara de blindar os (muitos) erros cometidos por eles e expor à população os poucos feitos das gestões daqueles que em teoria nos representam. Mas suas ações mostram o oposto, a intenção de enriquecer com o cargo público.

A força do capitalismo e o jogo de interesses tem espaço certo e evidente nas redações espalhadas por todo país e nossa região não foge deste padrão, que tem exceções cada vez mais raras. Ter a mídia como aliada de forma disfarçada é uma arma muito usada e de resultados imediatos aos nossos representantes, aproveitando-se da ética transviada de muitos jornalistas – ou pessoas que pensam ser isto – para benefício próprio

Ao optar pelo domínio das cifras o jornalista se afasta do dever de sua profissão, que é mostrar a realidade sem censura. Colocando o bolso à frente do caderno de anotações, da visão crítica, o profissional que tem como função evidenciar o que acontece na sociedade perde total credibilidade, perde o principal mote que move o jornalismo, perde sua função social. Esta escolha acarreta em escancarar sua posição no sistema: mais um aliado contra a sociedade.

É esta a sua postura sim, não se pode negar. Optando por um marketing às escondidas no lugar do interesse público, o jornalista está se posicionando contra a sua profissão. Além da quebra de imparcialidade há também a distorção sobre o que é jornalismo, pois coloca à frente da informação suas posições e ideias particulares. Todas as pessoas têm suas opiniões, inclusive os jornalistas, mas este profissional deve saber diferenciar escolhas pessoais de seu trabalho, que é mostrar as ideias da sociedade como um todo.

Seu papel não é o de optar pela valorização de determinados grupos favorecidos em diversos âmbitos, como é o que acontece hoje, amanhã e deve durar até mudarmos de postura frente a essa blindagem feita pela mídia. As informações existem em diversos formatos, e sua distorção cada vez mais presente. O que dizer de um jornal que consegue trazer um link ao vivo com o Governador e ignora os representantes dos trabalhadores?

É muito mais simples se acorrentar ao sistema manipulador do que se voltar contra ele. Puxar essa luta para si não é para qualquer um, precisa-se de coragem, de sangue frio e de peito para se posicionar a favor da mudança, de uma revolução jornalística.

Artigo completo em Poaenses

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