CAÇA A CANDIDATOS E A REFORMA POLÍTICA

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Em aproximadamente um ano, os eleitores voltarão às urnas para decidirem quem serão os novos vereadores e prefeitos. A norma eleitoral impõe a obrigatoriedade de os candidatos estarem filiados aos partidos desde o ano anterior ao pleito. O prazo de filiação para poder concorrer em 2012 se encerra em 5 de outubro e, em Poá, está aberta a caça a possíveis candidatos.

De modo geral, os partidos não se organizam ao longo de um mandato para agregar novos filiados e muito menos para debater questões do interesse da cidade. O que acontece agora é uma prática sistemática e quantitativa, que objetiva apenas atrair novas pessoas com intuito de que sejam candidatos e serem "escada" para alguma figura do partido ser eleita com tranquilidade.

Alguns partidos foram organizados na cidade neste ano e devem dar sustentação à candidatura de reeleição do atual prefeito, Francisco Pereira de Sousa (PDT), como o PSL e o PSDC. Outras novas siglas servirão para dar força à, até agora, pré-candidatura de Júnior da Locadora, como o PRP, PRTB e o próprio PR, ao qual se filiou. 


Numa investida na região, o governador Geraldo Alckmin mudou a direção do PSDB da cidade, impondo Eduardão como presidente, partido que deverá ter apoio do DEM, ao qual deve-se filiar o ex-prefeito Roberto Marques. Paralelo a isso, o pré-candidato do PMDB, Pedro Campos Fernandes, declara abertamente ser favorável a uma união dessas siglas para vencer a eleição.

O PT, como sempre, segue rachado, com diversos pré-candidatos e ainda especula-se receber a filiação de Ali El Kadri, atual secretário de saúde, para concorrer à prefeitura. O PTB recentemente realizou evento de filiação de novos membros e garante que o vereador Azuir Cavalcante será candidato a prefeito.

Nestes poucos dias que restam para a data limite, o convite à filiação é feito sem qualquer constrangimento. Os partidos não apresentam qualquer projeto de governo e desenvolvimento para a cidade e não se preocupam com ética ou moral dos novos filiados. É puramente um jogo de números, com os quais se quer ganhar agora e futuramente.

Toda essa situação resulta da fragilidade ética, programática e ideológica que reina sobre os partidos. Sem uma reforma política decente, a qual proporcione um cenário eleitoral mais democrático e menos suscetível à corrupção atual do financiamento privado de campanhas, e atue firme na fiscalização e punição da compra de votos, estamos fadados à cada quatro anos empossar novas figuras sem que elas tenham um real compromisso em legislar, elaborar ou executar projetos em benefício do coletivo. Viveremos um eterno ciclo da usurpação do que é público para fins privado.

Por Leandro de Jesus

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