CULPAR A NATUREZA É FÁCIL

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Milhares de famílias sofrem neste início de ano com a perda de parentes e outras tantas pelo desabamento sobre suas casas. A alegria das festas de fim de ano foi substituída pela tristeza, desolação, desespero e inconformismo. O maior culpado pela tragédia não são as fortes chuvas do período, mas o homem. Mais especificamente, os responsáveis são aqueles que estão e estiveram a frente do Poder Público.

Ao mesmo tempo em que devemos ajudar e consolar os sobreviventes, devemos cobrar e apontar os culpados. Todos os anos a história se repete.  Fortes chuvas de verão caem sobre as cidades atingindo moradias em áreas de risco. De modo geral, o poder público não age preventivamente de modo a, no mínimo, reduzir o perigo. Ao contrário, somente começam a trabalhar após perdas materiais ou de vidas. Eles, porém, são pagos para pensarem e agirem 365 dias do ano de modo a zelar pela vida e segurança daqueles que os elegeram. Não é isso, contudo, o que acontece.

Segundo especialistas, mortes até poderiam acontecer devido a intensidade das tempestades mas se houvessem ações preventivas a quantidade seria bem menor. O exemplo mais atual é o resultado das fortes chuvas que caem nas últimas semanas na Austrália. Neste país, a população recebe cartas com informações das enchentes, há plano de evacuação de área e orientações são transmitidas pelo rádio.

De acordo com a Folha de S.Paulo, no Estado de Queensland, o total de mortos não passava de 20 enquanto na região serrana do Rio de Janeiro já ultrapassa 500. Nas mesma reportagem, segundo Margareta Wahlström, subsecretária-geral da ONU para a Redução de Riscos de Desastres, o Brasil poderia ter evitado mortes se tivesse planos de emergência eficazes. Ela cita como exemplo iniciativas de outros países em desenvolvimento, como a Indonésia, que "apesar de ser uma nação pobre, têm planos de evacuação diante de ameaças de terremoto e de erupção de vulcão, por exemplo. São iniciativas que salvam vidas", diz ela.

Há muitas ações que podem ser feitas de forma antecipada. É burrice ou um crime não fazê-las. Primeiro é importante planejar ou readequar as cidades através de um Plano Diretor que contemple áreas habitáveis. Ao mesmo passo é preciso que haja um mapeamento de áreas de riscos e haja o manejamentos das pessoas desses locais. É necessário a criação de programas públicos de construção de moradias que estejam adequados num plano municipal de habitação. O desassoreamento de rios e a limpeza das calhas são partes essenciais do processo de prevenção. O tratamento de esgoto, evitando que se destine aos rios, e a limpeza de bueiros são ações que devam ser realizadas pela empresa de saneamento.
 
Em poucas linhas descrevi ações que podem salvar milhares de vidas. Mas nosso poder público, volto a dizer, não se interessa por prevenção. Isso não gera votos. Nossos políticos apenas aparecem na foto em meio ao desastre e dizem quanto vão gastar para recuperação das áreas. As vidas que se foram, no entanto, não tem preço para os que ficaram.
 
Reflita se o seu prefeito fez alguma ou várias dessas ações durante o ano de 2010. Em Poá, pouco foi feito. O Plano Diretor não foi atualizado, moradores continuam em áreas de risco, programas habitacionais ainda não foram projetados e o Centro da cidade sofreu novamente com enchente.
 
Depois...é fácil culpar a natureza.
 
Por Leandro de Jesus



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