DIA DA CONSCIÊNCIA PESADA

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No dia em que se homenageia Zumbi dos Palmares e a todos aqueles que lutaram pela liberdade oficial dos negros é preciso que haja uma verdadeira reflexão sobre a real inclusão social desse grupo na sociedade. A data não serve apenas para shows e comemorações mas também para discutir novas políticas públicas.

As pesquisas oficiais descrevem um abismo nas relações sociais entre negros e brancos. Os dados não podem ser vistos de maneira fria e sim com uma situação concreta, gritante, que necessita ser alterada. De acordo com o IBGE, negros e pardos são 51,1% da população brasileira. Apenas como exemplo da desigualdade no acesso educacional, pode-se citar que dos matriculados na mais conceituada universidade do país, a USP, apenas 9,7% são negros e pardos. Da população com mais de 25 anos já formada no país, apenas 10% são de negros e pardos.

A desigualdade é comprovada ainda por diversos outros dados como renda, carteira assinada, analfabetismo, tempo de vida, taxa de fecundidade, anos de estudo e outros. Em todos esses indicadores, o grupo de brancos leva enorme vantagem sobre o de negros.

Sabe-se que não dá para ter uma igualdade númerica nessas relações mas não se pode permitir tal abismo existente. O martírio dos negros vem desde a escravidão, passando pela libertação sem qualquer auxílio que pudesse incluí-los na sociedade e chegando no século 21 com essas enormes divergências.

É claro que a situação atual é consequência daquele desastroso passado. Para corrigir, faz-se necessário políticas de ações afirmativas que possam acelerar a inclusão de negros. Há diversas maneiras para isso. Pode ser via cotas em universidades ou concursos públicos ou programas etnicos em empresas privadas. Estudo da cultura negra e outras formas de inclusão tem que ser colocadas em prática.

O cenário melhorou um pouco nos últimos anos, especialmente com a ampliação do acesso à universidade, seja por meio de cotas ou pelo Prouni. Os resultados, porém, ainda não são suficientes para uma verdadeira transformação.

Novas políticas públicas para inclusão social e educacional desse povo tem de serem criadas. A população, de modo geral, será cobrada caso não pressione por novos programas. Aqueles que se calam diante de tal desigualdade serão taxados no futuro de coniventes com um racismo velado e cúmplices desse processo desumano.

Por Leandro de Jesus

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