27 novembro, 2010

BLOGUEIROS ENTREVISTAM LULA E IMPRENSA GRANDE CRITICA

A entrevista coletiva concedida a blogueiros pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última quarta-feira, dia 24, marca um momento histórico nos meios de comunicação. O ato, porém, não agradou a todos. Ao mesmo tempo em que jornalistas independentes se destacaram, a imprensa grande sentiu-se rejeitada e criticou o procedimento.

A entrevista, exclusiva aos blogueiros, foi transmitida ao vivo pelo Blog do Planalto e perguntas de twitteiros também foram respondidas pelo presidente. Os participantes* foram escolhidos no 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, realizado em agosto deste ano.

No calor da campanha eleitoral, uma polêmica já havia se instalado sobre os blogs. Jose Serra (PSDB) chamou-os de "blogs sujos", pois acredita que ele faziam campanha contra o tucano. Agora, o jornal "O Globo" editou matéria de página inteira para criticar a entrevista e denominou-os de chapa-branca.

A matéria do jornal afirma que Lula e os blogueiros elegeram "a grande imprensa como alvo principal e não poupou crítica aos jornais". No entanto, na entrevista Lula cita a si próprio como o maior exemplo de liberdade de imprensa no país, pois, segundo ele, os veículos torceram para sair derrotado.

A crítica do jornal, representante da imprensa grande e consequentemente de uma elite do país, significa que o fato mexeu nas suas estruturas. Significa que eles não detém o mesmo poder que possuiam no passado e hoje, a passos lentos, diga-se, novas vozes podem ser ouvidas ou servir de intermediários nas comunicações.

Pluralidade

A pluralidade que houve naquele momento afetou O Globo e outras empresas do gênero que se incomodam com a diversidade de opiniões. Esse tipo de imprensa está acostumado ao pensamento único e à manipulação.

Marilena Chauí em entrevista à Carta Maior diz que esses veículos usam a "folha de parreira. A folha de parreira, segundo a lenda, serviu para Adão e Eva se cobrirem quando descobriram que estavam nus. Na mídia, a 'folha de parreira' consiste em dar um pequeno e controlado espaço à opinião divergente ou contrária à linha da empresa. Às vezes, não dá certo. O caso do Estadão contra Maria Rita Kehl mostra que uma vigorosa voz destoante no coral do “sim senhor” não pode ser suportada".

Esse exemplo vai ao encontro do que dizia Perseu Abramo para o qual a grande mídia é manipuladora mas não pode ser assim sempre, para que não perca a credibilidade.

De acordo com Luis Nassif, também blogueiro, os blogs são um novo marco nas comunicações e caminham no sentido da democratização na mídia. "Nos últimos anos, montamos uma rede de grande impacto para impedir as maluquices da direita e o processo avassalador da mídia, avaliou.

Desso modo, é fácil identificar o porque de se criticá-los. Ataca-se para não perder o filé. Independente de suas posições ideológicas, assim como também tem a imprensa grande, é salutar o avanço de blogs. É imperativo a pluralidade e a democratização dos meios de comunicação. Mais atores nesse cenário é mais benéfico para a formação e para a informação. Os grandes não querem largar o osso mas aos poucos os pequenos vão conseguindo seu espaço.

* Altamiro Borges (Blog do Miro), Altino Machado (Blog do Altino), Conceição Lemes (Viomundo), William (Cloaca News), Eduardo Guimarães (Cidadania), Leandro Fortes (Brasilia, Eu Vi), Pierre Lucena (Acerto de Contas), Renato Rovai (Blog do Rovai), Rodrigo Vianna (Escrevinhador) e Túlio Vianna (Blog do Túlio Vianna).


Por Leandro de Jesus

Conselhos Estaduais são cobrados sobre racismo de Lobato

Por: Redação - Fonte: Afropress - 25/11/2010


Brasília - Embora até o momento apenas o Conselho Nacional de Educação tenha se posicionado, a representação que pede um posicionamento a respeito dos termos declaradamente racistas contidos no livro “Caçadas de Pedrinho”, do escritor Monteiro Lobato, foi encaminhada aos Conselhos Estaduais da Educação dos 26 Estados e do Distrito Federal pela Ouvidoria da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).

Segundo o Ouvidor, Humberto Adami – que tomou a iniciativa em atenção a uma queixa do professor Antonio Gomes da Costa Neto, mestrando da Universidade de Brasília (UnB) – os Conselhos Estaduais da Educação também deverão e posicionar sobre o fato e definir se o livro pode continuar sendo distribuido nas Escolas sem ressalvas ou Notas Explicativas.

“Tenho informações que o Conselho Estadual do Distrito Federal deverá se manifestar nos próximos dias. Os dos demais Estados também deverão fazê-lo porque a Ouvidoria encaminhou a representação, pedindo posicionamento a todos”, afirmou.

Os Conselhos previstos em Lei e nas Constituições dos Estados e do Distrito Federal tem funções normativas, deliberativas e consultivas. São por definição autônomos e se prestam a esclarecimento de propostas. Se manifestam sempre através de Pareceres, Indicações e Deliberações, sobre as diretrizes da política Educacional dos Estados.

CNE reafirma posição

Em artigo publicado na seção Tendências e Debates do Jornal Folha de S. Paulo, edição desta quinta-feira (25/11), os professores Antonio Carlos Ronca, Francisco Cordão e Nilma Gomes - respectivamente, presidente do Conselho Nacional de Educação, presidente da Câmara Educação Básica do CNE e relatora - reiteram a defesa do Parecer 15/2010, que recomenda que o livro não seja incluído no Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) e, em isso ocorrendo, as editoras sejam obrigadas a acrescentar Nota Explicativa.

“O CNE entende que uma sociedade democrática deve proteger o direito de liberdade de expressão e, nesse sentido, não cabe veto à circulação de nenhuma obra literária e artística. Porém, essa mesma sociedade deve também garantir o direito à não discriminação, nos termos constitucionais”, afirmam.

O ministro da Educação Fernando Haddad, contudo, disse não ter visto racismo em expressões utilizadas no livro, e anunciou que aguardará o prazo de trinta dias para recursos. Adiantou, porém, que não homologará o Parecer, passo necessário para que seja acatado. “Pessoalmente, não vejo racismo”, limitou-se a dizer.

Posição delicada

Entretanto, ao pedir a revisão do Parecer, o ministro acabou ficando numa situação delicada, porque desautoriza Nota Técnica da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), do próprio MEC.

Na Nota a Secad afirma que a obra só deve ser usada "quando o professor tiver a compreensão dos processos históricos que geram o racismo no Brasil".

O livro de Lobato, que era um notório adepto da Eugenia (termo criado por Francis Galton, para designar a pureza racial que desembocou no nazismoda) foi publicado em 1.933, e relata uma aventura do Sítio do Picapau Amarelo na procura de uma onça pintada. Tia Nastácia, a personagem, é associada a animais como o urubu e o macaco.

Lobato e a Eugenia

Entre os trechos do livro há as seguintes citações sobre Tia Nastácia. “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”. Ou então: “Não é à toa que os macacos se parecem tanto com o homens. Só dizem bobagens”. Também há o uso farto de termos depreciativos como “macaca de carvão”, “carne preta”, “urubu fedorento”, entre outros.

Segundo a legislação em vigor obras distribuídas à rede escolar não podem ter referências homofóbicas ou racistas. Também é prevista a possibilidade de recurso caso uma obra seja vetada.

As decisões no âmbito administrativo não impedem recursos judiciais, em um segundo momento para a preservação das garantias previstas em lei.

23 novembro, 2010

PREFEITURA DE POÁ QUER OFICIALIZAR OS FLANELINHAS

Atitude da Prefeitura assegura a falência da segurança pública

A Prefeitura de Poá divulgou no último dia 18 que pretende oficializar os guardadores clandestinos de veículo, os chamados flanelinhas. A proposta é regularizar a função para que eles possam ser cadastrados e trabalharem uniformizados. A decisão foi comunicada em reunião da equipe de administração com a Polícia Militar.

O Prefeito Testinha (PDT) quer seguir o exemplo de algumas prefeituras que já realizaram o projeto, como ocorre em Salvador e Porto Alegre. “Isso só valerá para as pessoas que já possuem um cadastro junto à polícia militar, desta forma, poderemos atuar junto às pessoas que agem de má fé e chegam a hostilizar ou até ameaçar os motoristas”, garantiu o Prefeito.

A função de guardador de carro foi legalizada pela Lei n° 6.242/75 e posteriormente regulamentada pelo Decreto n° 79.797/77. Porém, da forma como atuam hoje os flanelinhas, o cadastramento realizado pela administração pública é uma forma de oficializar a extorsão. É desse modo que atua a maioria dos flanelinhas.

Eles não prestam um serviço pois do modo como trabalham não teriam sequer condições de guardar o patrimônio particular numa eventual subtração de forma armada. No entanto, eles cobram e ameaçam aqueles que não pagarem. Muitos até exigem pagamento antecipado. Mas, independente do modo que recebem, cobrando ou pedindo, não deveriam fazê-lo pois o veículo estacionado em local público deve ter a garantia da seguraça pública.

Em artigo publicado no Periódico Jus navigandiOneir Vitor Oliveira Guedes, bacharel em Direito, lembrou uma fala do Juiz Daniel Ribeiro Lagos, da 3ª Vara Criminal de Porto Velho (RO), na qual dizia que "está passada a hora das autoridades assumirem uma postura desprovida de hipocrisia em relação à atuação nefasta dos chamados ‘flanelinhas’ que, a pretexto de trabalho, exigem dos motoristas pagamento por serviços de vigilância para estacionar em via pública, arvorando-se ‘donos’ do espaço público, quando se sabe que o que se cobra não é vigilância, mas pagamento para não ter o bem danificado".

Guedes concorda com o Juiz e afirma que "na grande maioria das vezes não se paga ao flanelinha por altruísmo, por achar o seu trabalho justo, honesto ou porque o sujeito estaria tomando conta do carro... o pagamento se dará apenas pelo temor do condutor em ter seu patrimônio ou integridade física atingidos pelo flanelinha".


Embora a profissão seja legal e o prestador possa ser cadastrado na Delegacia do Trabalho, é inconveniente a regulamentação desse serviço. O Poder Público tem o monopólio da força para garantir a segurança no espaço público. É salutar que seja dada alguma forma de atenção a esses cidadãos, mas propiciar a legalidade de seus serviços dizer de forma explícita que a segurança pública está falida, inclusive a Guarda Civil Municipal, custeada pela Prefeitura.

Por Leandro de Jesus

21 novembro, 2010

DIA DA CONSCIÊNCIA PESADA

No dia em que se homenageia Zumbi dos Palmares e a todos aqueles que lutaram pela liberdade oficial dos negros é preciso que haja uma verdadeira reflexão sobre a real inclusão social desse grupo na sociedade. A data não serve apenas para shows e comemorações mas também para discutir novas políticas públicas.

As pesquisas oficiais descrevem um abismo nas relações sociais entre negros e brancos. Os dados não podem ser vistos de maneira fria e sim com uma situação concreta, gritante, que necessita ser alterada. De acordo com o IBGE, negros e pardos são 51,1% da população brasileira. Apenas como exemplo da desigualdade no acesso educacional, pode-se citar que dos matriculados na mais conceituada universidade do país, a USP, apenas 9,7% são negros e pardos. Da população com mais de 25 anos já formada no país, apenas 10% são de negros e pardos.

A desigualdade é comprovada ainda por diversos outros dados como renda, carteira assinada, analfabetismo, tempo de vida, taxa de fecundidade, anos de estudo e outros. Em todos esses indicadores, o grupo de brancos leva enorme vantagem sobre o de negros.

Sabe-se que não dá para ter uma igualdade númerica nessas relações mas não se pode permitir tal abismo existente. O martírio dos negros vem desde a escravidão, passando pela libertação sem qualquer auxílio que pudesse incluí-los na sociedade e chegando no século 21 com essas enormes divergências.

É claro que a situação atual é consequência daquele desastroso passado. Para corrigir, faz-se necessário políticas de ações afirmativas que possam acelerar a inclusão de negros. Há diversas maneiras para isso. Pode ser via cotas em universidades ou concursos públicos ou programas etnicos em empresas privadas. Estudo da cultura negra e outras formas de inclusão tem que ser colocadas em prática.

O cenário melhorou um pouco nos últimos anos, especialmente com a ampliação do acesso à universidade, seja por meio de cotas ou pelo Prouni. Os resultados, porém, ainda não são suficientes para uma verdadeira transformação.

Novas políticas públicas para inclusão social e educacional desse povo tem de serem criadas. A população, de modo geral, será cobrada caso não pressione por novos programas. Aqueles que se calam diante de tal desigualdade serão taxados no futuro de coniventes com um racismo velado e cúmplices desse processo desumano.

Por Leandro de Jesus

13 novembro, 2010

POÁ PRECISA DE ESPORTISTAS REFERÊNCIA

É consenso o fato de que jovens se espelham em famosos para praticar qualquer ação. Seja de modo estilístico, verbal, artístico ou esportivo, a imitação muitas vezes pode ser benéfica. Assim ocorre quando uma criança pratica algum esporte incentivada pelas vitórias de algum campeão. Com os recursos orçamentários de Poá, está na hora de a cidade montar equipes que possam virar referência aos jovens.

O esporte de base, que ensina os primeiros passos na atividade esportiva, é fundamental. É desse modo que os poaenses tem ingressado nas escolinhas da prefeitura, através do Projeto Segundo Tempo que ocorre em parceria com o Governo Federal. Não é necessário, porém, muito esforço para que os jovens ingressem numa atividade esportiva. Desde os primeiros anos escolares as atividades são incluídas no currículo. Mas sabe-se que quanto maior o incentivo, maiores serão as respostas para ingressarem nas atividades.

Há diversos exemplos de esportivas famosos e vitoriosos que serviram de motivação para milhares de crianças e adolescentes praticarem alguma modalidade. Assim foi quando Gustavo Kuerten, Daiane dos Santos, Jardel Gregório, Maurrem Maggi, Gustavo Borges  e Ayrton Senna ganharam diversos títulos e se projetaram mundialmente. As equipes vitoriosas também fazem efeito, a exemplo das seleções de basquete de Oscar e Hortência ou as de volei de Giovani, Giba, Ana Moser ou Natália.

Nem é preciso citar jogadores de futebol, pois a certeza é ainda maior. A cada vitória, a cada gesto de esforço e disciplina, eles se tornam exemplos a serem seguidos.

Em nossa região também houve esportistas que inspiraram sonhos de muitos jovens. As equipes campeões de basquete de Mogi ou do volei de Suzano ficaram famosas no Brasil e até mundialmente. Certamente há hoje jogadores que, quando crianças, gritavam os nomes daqueles atletas da região.

É disso que Poá precisa. É importante ter esportitas referência para que eles sejam exemplo de profissões a se seguir e dar alternativa para que os jovens da cidade não se percam nos caminhos tortuosos, como os da deliquência ou o das drogas.

Uma equipe de elite custa altos recursos. Mas a prefeitura poderia seguir aqueles modelos das cidades vizinhas ao fazer convênio com algum clube e trabalhar para que patrocinadores contribuam com os times. As empresas querem vincular seu nome à grandes equipes. É preciso, porém, que haja a vontade do poder executivo em implantar esse projeto. Essa idéia não está nas vontades da secretária de esportes Terezinha do Nascimento. Mas mudando de opinião, certamente faria um enorme bem à população da cidade. Torcemos para isso então.

Por Leandro de Jesus


01 novembro, 2010

DESAFIOS DA NOVA PRESIDENTA

Enfim, termina mais um capítulo da história do Brasil e outro se inicia. Finda as eleições de 2010 na qual se protagonizaram debates com conteúdo sem qualquer relevância e sem discutir os principais problemas do país. Nos últimos dias, os embates limitaram-se a termos moralistas e religiosos. "Entre mortos e feridos", Dilma foi eleita a primeira presidenta do Brasil. Desafios, contudo, não lhe faltarão.

Há uma série de mudanças e reformas necessárias para o país. Lula não as fez e é imperativo que Dilma as façam. Para que elas acontecam, será preciso pulso firme para enfrentar aqueles que não querem a modernização do Brasil. No primeiro discurso após o resultado das eleições, Dilma garantiu querer acabar com a miséria e realizar a reforma política. É preciso, porém, que a oratória vire ações.

Outra questão urgente a ser tratada é a reforma tributária. É importante que haja a desoneração das folhas de pagamento e dos contribuintes. Ressalta-se, no entanto, que o processo além de ser mais simplificado precisa ser embutido de um mecanismo que tribute diferentemente os desiguais. A presidenta precisa regulamentar a tributação das grandes fortunas para que se caminhe no sentido de diminuir a desigualdade social.

O problema da educação novamente voltou à tona nestas eleições. Apesar de Dilma não ter se comprometido, é preciso caminhar para que haja a destinação de 10% do PIB para o setor. A eleita prometeu chegar no máximo a 7%. É importante que se continue o processo de expansão das universidades federais e que sejam criados, sobretudo, cursos com qualidade, não apenas em quantidade.

O tema segurança também foi explorado, especialmente a questão das drogas. Muitos desses entorpecentes chegam aos jovens através de facilitada entrada pelas fronteiras do país. É preciso, portanto, criar uma barreira a isso. Ao mesmo tempo em que se equipe melhor a Polícia Federal, seria interessante criar uma organismo que cuidadasse especificamente da vigilância das longas fronteiras.

Muitos outros problemas precisam ser sanados. Dilma precisará modernizar a gestão do país, inibindo a ação de apadrinhamento que gera tantas mazelas na administração pública. É importante aumentar a eficácia da transparência e fiscalização e derrotar o conservadorismo reinanante no aliado PMDB. Que Dilma lembre das dificuldades da ditadura, da tortura que sofreu, e consigar transformar realmente o país numa nação mais justa. Que ela faça, portanto, um governo à esquerda.

Por Leandro de Jesus

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