DENEVAL DIAS MINIMIZA FATOS SOBRE ABISMO RACIAL

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Em discurso na Câmara, vereador Deneval Dias (PRB) demonstra não crer na existência de racismo no Brasil e afirma que diferenças sociais e econômicas entre negros e brancos é mínima. Além disso, concordou com a tese do senador Demóstenes Torres (DEM) de que o negro seria culpado por sua própria escravidão.

O pronunciamento sobre o assunto foi realizado na sessão do dia 8, após intervenção no discurso do vereador Júnior da Locadora (PV), o qual lia informações publicadas na "Folha de S. Paulo" sobre a declaração do senador Demóstenes.

Dias disse que dentre os 60 milhões de pobres existentes no Brasil, apenas 60% seriam de negros e 40% de brancos. Tal diferença seria muito pequena para considerar que os negros seriam prejudicados e não justificaria uma política de cotas. O vereador concordou ainda com alguns historiadores que, segundo ele, afirmam que entre os negros haveria um mercado de escravidão. Desse modo, ele ratificou o discurso do senador.


Dias, no entanto, demonstra profundo desconhecimento de estatísticas oficiais e da história da escravidão no Brasil. Os dados mais relevantes descrevem ainda hoje um abismo entre negros e brancos no país.

O estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça do IPEA ((Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) publicado no fim de 2008, mostra que expectativa de vida foi maior para as mulheres em relação aos homens e também para a população branca na comparação com a negra. A diferença chega a 3,7 pontos a favor das mulheres brancas contra negras.

A vulnerabilidade social de negros também pode ser vista no percentual daqueles que vivem em favelas. De 8 milhões de moradores, em torno de 66% das casas é chefiada por negros ou negras.

Outra área na qual se observa a diferença do acesso da população a serviços públicos é a saúde. Dos 36,4% das mulheres com até 25 anos de idade que nunca se submeteram aos exames de mama e do colo do útero, 28,7% são brancas e 46,3% são negras. A população negra também é mais dependente do SUS (Sistema Único de Saúde). Entre os atendidos em 2003, quase 80% foram de negros ante a média de 56% de brancos.

Dados de 2006 mostravam também a diferença de renda nos grupos. Homens brancos tinham uma renda média de R$ 1.181, mulheres brancas ganhavam R$ 742; homens negros, R$ 583 e mulheres negras, em média, ganhavam R$ 383.

A disparidade é preocupante pois no extrato social brasileiro a quantidade de negros e pardos com a de brancos é bem próxima. Dados da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios) indicou que 50,6 e 48,4%, respectivamente, declaravam-se dessas raças.

Diante dos dados tão evidentes, não seria necessário realizar conclusão. Mas diante da falta de conhecimento do vereador Dias, é imperativo dizer que algo está muito errado e que é necessário a implementação de políticas públicas afirmativas. Tais diferenças não são pequenas e precisam ser revertidas, assim como é necessário que o vereador busque informações mais corretas para divulgar, já que exerce uma função pública de destaque.

Por Leandro de Jesus

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