ENSINO SUPERIOR OU INFERIOR?

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Alunos da UNIBAN demonstram o resultado do ensino brasileiro

Na noite de 22 de outubro, estudantes da Universidade Bandeirante (UNIBAN), campus de São Bernardo, protagonizaram cenas bárbaras que demonstram haver algo de muito errado no ensino superior brasileiro. Em pleno horário de aulas, centenas de jovens agrediram verbalmente, e quase fisicamente, a aluna Geisy Arruda, 20 anos, por um simples fato, usar um vestido curto (vídeos no Youtube).

No episódio, Geisy foi chamada de puta, cercada por centenas de alunos e sofreu várias ameaças quando percorria os corredores da instituição. Tentou refugiar-se em sala de aula, mas os jovens continuaram a hostilizar pela porta e janelas do local. Somente conseguiu sair escoltada por policiais, mas ainda diante de xingamentos.

Se a estudante houvesse transgredido a lei ou as normas da faculdade, agido contra a cultura local, rompido a barreira daquilo que é ético ou atacado moralmente alguém, ainda assim as hostilizações teriam limite, mas alunos universitários agirem daquela forma é inaceitável.

Universidades que deveriam ser centros irradiadores de esclarecimento e de formação de elite intelectual tem produzido, isso mesmo, numa lógica mercantil, profissionais brutos e incapazes de tolerar a diversidade.

Esse é o resultado da mercantilização do ensino brasileiro. Com algumas excessões, universidades privadas vendem um produto ( a educação ) e estudantes compram com o único objetivo de receber um diploma na formatura. As instituições não são mais centros geradores de conhecimento, de pesquisa, reflexão e crítica. A simples transmissão de burocráticas técnicas substituiu a do saber. O episódio acima e outros como os violentos trotes de início de ano são exemplos disso.

Avaliações do governo federal já denunciam a baixa qualidade do ensino ministrado, mas ele pouco faz para impedir que a situação continue. Os últimos dados do Índice Geral de Cursos, divulgados pelo MEC, mostram que 737 mil estudantes universitários do país estudam em instituições reprovadas. Das avaliadas, 39 % das universidades privadas receberam notas 1 ou 2. Apesar disso, os cursos continuam abertos.

Está claro, portanto, que o caminho não está correto. O governo federal, que regula o sistema, precisa intervir e impedir a abertura das unis-shopping e a continuidade da venda do conhecimento como se ele fosse um simples produto. Da forma como está, pode se estar mais próximo do obscurantismo que da luz. O episódio em São Bernardo foi mais um alerta. Ou se promova mudanças ou o Brasil terá gerações de profissionais menos civilizados.

Por Leandro de Jesus

1 comentários:

Adilson Santos disse...

Concordo plenamento contigo, pois virou puro mercantilismo.

O ser humano, a cada dia tem mais instrumentos tecnológicos a seu dispor, mas o homem ser torna um ser individual, parecendo ser mero boneco de massa de manobra, com pouca força e vontade de pensar, se deixando manipular por gritos.

Veja o cado da Escola Base de São Paulo, pura injustiça. O povo vai no grito, no embalo, não pensa, e é meramente conduzido como massa de manobra.

Mas isto mostra claramente, a sociedade que vivemos, onde a cada dia falta o humanismo do ser humano.

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