22 novembro, 2009

AS MANSÕES DA PREFEITURA

Executivo municipal gasta erário público com diversos aluguéis


A exemplo de administrações anteriores, o governo de Testinha (PDT) mantém a mesma política de alugar diversos imóveis na cidade para alocar departamentos. Tal política leva o executivo a alugar salas comerciais e até mansões.

A locação de imóveis é prejudicial sob vários aspectos. O primeiro e mais latente ponto negativo é não se poder observar com clareza os critérios que identificam a transparência nas decisões ou a impessoalidade dos atos. O segundo ponto é não haver concorrência nesse tipo de contrato. Diante disso, o preço será o indicado pela imobiliária, sendo o de mercado ou não.

Outro item negativo são as constantes mudanças de imóveis. Isso é mais visível quando se inicia uma nova administração. Novos locais são alugados e os antigos, com as reformas investidas, são largados. Além, é claro, de que a população se acostuma a ir em determinado lugar e em seguida deve procurar o novo local.

A cada novo imóvel locado, como já dito,a prefeitura investe em reforma. Pintura, paredes, janelas, segurança, acessibilidade, divisórias, portas, iluminação entre outros. A mudança de prédio faz se perder todo esse investimento e novo gasto deverá ser realizado.

Estranha também o fato de a prefeitura alugar mansões na cidade. Os imóveis nos quais estão a Diretoria de Turismo e o Ambulatório da Saúde Mental são exemplos. Será realmente necessário alugar mansões no lugar de casas ou salas comerciais? Não se entende também o porquê alugou-se um prédio para ensaios da orquestra quando foram investidos milhões na construção do Centro Cultural Taiguara.

Provavelmente, a sede da prefeitura não comporte todos esses departamentos, o que a obriga a locar os imóveis. Ela faria melhor se já planejasse construir uma unidade que centralizasse as diversas secretarias e diretorias. Não se vê, porém, projetos para isso, o que geraria redução de custos a longo prazo e o consequente investimento do valor em outra área.

É necessária uma política séria para a disposição na cidade dos diversos departamentos da prefeitura. É importante a centralização deles em um único ou poucos locais. Algo que seja bem distante da atual frágil política de aluguéis de mansões.

Por Leandro de Jesus

14 novembro, 2009

CÂMARA CORRIGE SITE

Após mais de uma semana do aviso via e-mail, Câmara Municipal de Poá corrige erro em link de sua página oficial na internet. Ao clicar na imagem do "Portal da Transparência", uma página em inglês era carregada, provavelmente um sítio de compras (veja texto abaixo).

Na última terça-feira, dia 10, após a sessão da Câmara Municipal, Leandro de Jesus e Carlos Datovo cobraram do Diretor do local, Luis Charquesi, posição da administração sobre o erro. O relato foi acompanhado pelo vereador Junior da Locadora (PV), que disse ter visto o e-mail e teria alertado o presidente da casa, Ricardo Massa (PP).

Leandro ressaltou aos presentes que caso Massa não resolvesse o problema, poderia ser acionado no Ministério Público.

No dia seguinte, porém, o sítio foi corrigido. Lamenta-se, no entanto, que a imagem do "Portal da Transparência" continue, mas nada foi posto para se analisar.

Leandro de Jesus

01 novembro, 2009

SITE DA CÂMARA É PIADA DE MAU GOSTO

Assim como o do executivo, o sítio do legislativo não atende ao que necessita a população

O sítio da Câmara Municipal de Poá na rede mundial de computadores - a internet - não cumpre com a publicidade e tranparência exigidas para o Poder Legislativo. Seguindo os erros da páginal oficial da prefeitura, não deixa à disposição vários serviços, links ainda estão em construção e páginas em destaque estão com notícias da gestão anterior.

Já na página inicial, uma nota oficial relata como seria o sítio. Segundo a informação, desde agosto deste ano o sítio contaria "com um banco de dados totalmente interativo, que proporcionará a comunidade obter de forma simplificada informações sobre a Câmara, sobre as seções semanais, dia-a-dia dos vereadores, banco de leis e prestação de contas".

Pouquíssimo do prometido, porém, é disponibilizado. Não existe o banco de dados interativos, assim como também não há detalhes sobre seções e vereadores. O banco de leis é falho, pois muitos links não podem ser abertos. A prestação de contas detalhada foi recentemente colocada no sítio.

O cidadão que quiser saber como ocorreram as seções não ficará informado. Não há disponibilização de atas nem de reportagens, embora a instituição conte com assessoria de imprensa.

Há ainda erros grosseiros. A chamada para o link da reformulação do sítio mostra a foto do call center que presta serviços para a prefeitura. A foto do sítio, por sua vez, está no texto que trata do "Fala Poá", projeto do executivo. Estão em destaques reportagens que foram publicadas em jornais da cidade, algumas não são atuais. O texto "Poá mudou para melhor" foi publicado há mais de um ano no Jornal do Município. Trata da gestão Roberto Marques e de ações do então secretário André Marques.

A agenda está sem dados. Nas seções Institucional e História de Poá não existem informações. A área de Leis Gerais também apresenta a nota de que em breve estará liberado o dowload. O link do Regimento Interno apresenta apenas os números das resoluções, mas não o texto completo. É de se estranhar também um link disponível que dá acesso a um sítio em inglês, provavelmente de compras ( http://shop.joomla.org/ ).

São uma série de problemas e erros inadmissíveis para um poder constituído. O serviço é pago pelo contribuinte mas sua prestação não é eficaz. A fiscalização tanto do executivo como do legislativo fica dificultada com esses entraves. Seria esta a vontade dos vereadores? Espera-se que não.

A responsabilidade maior é do presidente da casa, o vereador Ricardo Massa (PP). Que ele tome as devidas providências para que não seja responsabilizado, especialmente quanto ao link que dá acesso a um sítio de compras.

Se o Legislativo fiscaliza tem também o dever de informar e facilitar a fiscalização. Isso, porém, não é o que acontece.

Leandro de Jesus

ENSINO SUPERIOR OU INFERIOR?

Alunos da UNIBAN demonstram o resultado do ensino brasileiro

Na noite de 22 de outubro, estudantes da Universidade Bandeirante (UNIBAN), campus de São Bernardo, protagonizaram cenas bárbaras que demonstram haver algo de muito errado no ensino superior brasileiro. Em pleno horário de aulas, centenas de jovens agrediram verbalmente, e quase fisicamente, a aluna Geisy Arruda, 20 anos, por um simples fato, usar um vestido curto (vídeos no Youtube).

No episódio, Geisy foi chamada de puta, cercada por centenas de alunos e sofreu várias ameaças quando percorria os corredores da instituição. Tentou refugiar-se em sala de aula, mas os jovens continuaram a hostilizar pela porta e janelas do local. Somente conseguiu sair escoltada por policiais, mas ainda diante de xingamentos.

Se a estudante houvesse transgredido a lei ou as normas da faculdade, agido contra a cultura local, rompido a barreira daquilo que é ético ou atacado moralmente alguém, ainda assim as hostilizações teriam limite, mas alunos universitários agirem daquela forma é inaceitável.

Universidades que deveriam ser centros irradiadores de esclarecimento e de formação de elite intelectual tem produzido, isso mesmo, numa lógica mercantil, profissionais brutos e incapazes de tolerar a diversidade.

Esse é o resultado da mercantilização do ensino brasileiro. Com algumas excessões, universidades privadas vendem um produto ( a educação ) e estudantes compram com o único objetivo de receber um diploma na formatura. As instituições não são mais centros geradores de conhecimento, de pesquisa, reflexão e crítica. A simples transmissão de burocráticas técnicas substituiu a do saber. O episódio acima e outros como os violentos trotes de início de ano são exemplos disso.

Avaliações do governo federal já denunciam a baixa qualidade do ensino ministrado, mas ele pouco faz para impedir que a situação continue. Os últimos dados do Índice Geral de Cursos, divulgados pelo MEC, mostram que 737 mil estudantes universitários do país estudam em instituições reprovadas. Das avaliadas, 39 % das universidades privadas receberam notas 1 ou 2. Apesar disso, os cursos continuam abertos.

Está claro, portanto, que o caminho não está correto. O governo federal, que regula o sistema, precisa intervir e impedir a abertura das unis-shopping e a continuidade da venda do conhecimento como se ele fosse um simples produto. Da forma como está, pode se estar mais próximo do obscurantismo que da luz. O episódio em São Bernardo foi mais um alerta. Ou se promova mudanças ou o Brasil terá gerações de profissionais menos civilizados.

Por Leandro de Jesus

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