CADÊ NOSSO PARQUE

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7 de setembro, feriado nacional. Diferente de dias anteriores, o sol brilha magnificamente. Pais descansam e famílias se reencontram. Filhos aproveitam o dia para brincar. É dia de parar para respirar, esquecer o estresse cotidiano, praticar esportes, estudar, refletir, enfim, entreter-se. Vamos, então, ao parque. Mas cadê? Poá não tem parque municipal.

Nos últimos anos, muitas obras na cidade foram realizadas. Puro concreto. Ruas foram construídas, asfaltadas, árvores destruídas. As gramas de praças deram lugar a canteiros cimentados. Esqueceram-se do verde.

Não. Não se esqueceram do verde. Decidiram reduzir o que ainda resta. Sobre as poucas áreas naturais do município foi autorizada a construção de duas estradas: Padre Eustáquio e Rodoanel. Se elas podem ser construídas, por que não utilizar parte dessa área, presevar e erguer um parque ecológico?

É um pergunta que não se cala, principalmente nestas horas que poderíamos aproveitar nosso ócio. Talvez quem decidiu e decida as obras no município, esteja agora na praia ou na casa de campo. Nossos filhos, porém, devem se contentar em ficar dentro de casa ou ir para o perigo da rua.

Projetos de parques nunca saíram do papel. O sonhado Parque da Juventude também não deve sair, porque nosso presidente não liberou a verba dos esportes. Ah, mas para carros, suas avenidas e estradas sempre tem dinheiro.

Eh, poderíamos aproveitar hoje a área verde, estudar "in loco" o meio ambiente. Descansar sobre sombras e observar o canto de pássaros. Poderíamos fazer um pequenique ou mesmo um churrasco. As crianças poderiam soltar pipas ou jogar futebol em segurança. Poderíamos caminhar por trilhas ou tirar fotos em jardins floridos. Poderíamos ver apresentações em coreto ou simplesmente dormir no gramado. Poderíamos comprar picolé.

Não. Não podemos. Isso ficará em nossos sonhos. Não temos um parque. Nossa área verde é para carros, não para pessoas. Sonhemos então que um dia surgirá uma administração que pensará no meio ambiente e nas pessoas. Enquanto esse tempo não chega, procuremos os parques de outras cidades ou o quintal de nossos lares.

Leandro de Jesus

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