OPERETA

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Por Saulo Souza


O excelente trabalho teatral apresentado pela Associação Cultural Opereta na noite do último dia 21 de março no centro de Poá fez a cidade acreditar ainda mais no poaense. Mesmo com poucos recursos, atores voluntários e singela contribuição financeira do Governo Municipal, o Grupo Opereta realizou obra grandiosa aos olhos de todos. Talento e comprometimento sobraram. Confesso, fiquei orgulhoso ao constatar o que nossa cidade tem de melhor. Lembrei do Elefante. Você já observou elefante no circo? Durante o espetáculo, o enorme animal faz demonstrações de força descomunais. Mas, antes de entrar em cena, permanece preso, quieto, contido somente por uma corrente que aprisiona uma de suas patas a uma pequena estaca cravada no solo.
A estaca é só um pequeno pedaço de madeira. E, ainda que a corrente fosse grossa, parece óbvio que ele, capaz de derrubar uma árvore com sua própria força, poderia, com facilidade, arrancá-la do solo e fugir.
Que mistério! Por que o elefante não foge?
Há alguns anos descobri que alguém havia sido bastante sábio para encontrar a resposta: o elefante do circo não escapa porque foi preso à estaca ainda muito pequeno. Fechei os olhos e imaginei o pequeno recém-nascido preso: naquele momento, o elefantinho puxou, forçou, tentando se soltar. E, apesar de todo o esforço, não pôde sair. A estaca era muito pesada para ele. E o elefantinho tentava, tentava e nada. Até que um dia, cansado, aceitou o seu destino: ficar amarrado na estaca, balançando o corpo de lá para cá, eternamente, esperando a hora de entrar no espetáculo.
Então, aquele elefante enorme não se solta porque acredita que não pode. Para que ele consiga quebrar os grilhões e se ver livre é talvez necessário que ocorra algo fora do comum, como um incêndio por exemplo. O medo do fogo faria com que o elefante em desespero talvez quebrasse a corrente e fugisse.
Vou logo concluindo, a falta de desenvolvimento cultural na cidade é a nossa estaca há quase 60 anos. O Grupo Opereta protagoniza então o inicio de um rompimento com o “destino”. Poaenses são elefantes. O despreparo de políticos na realização de políticas públicas que fomente a cultura no município não poderá mantê-los amarrados na estaca, balançando o corpo de lá para cá, eternamente, esperando a hora de entrar no espetáculo. Parabéns Opereta!

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