O ultimo vôo do JJ 3054

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Contribuição da leitora assídua Daline de Oliveira Souza, estudante de Direito da Universidade Mogi das Cruzes.
Eles embarcaram normalmente ás 17h16 em Porto Alegre (RS), o vôo apesar da chuva foi tranqüilo. Para os que estavam voando pela primeira vez, foi um alívio no momento em que o avião tocou o chão no aeroporto de Congonhas ( SP), o relógio marcava 18h46. Aos que já estavam acostumados com vôos, só restava a freada para que pudessem desembarcar e ir ao encontro dos “destinos planejados”. Porém, o avião freou, mas não parou! O alívio dos calouros se apagou e o destino dos veteranos não se concretizou. Muita chuva, pista molhada e tentativa frustrada ao arremeter. O avião se chocou contra o prédio da própria companhia da aeronave. Houve uma explosão, muito fogo e gritos de socorro. Eram 176 pessoas a bordo, e mais algumas pessoas que estavam no interior do prédio atingido ou nas imediações. Eram pessoas comuns, iguais a mim e a você. Eram sonhadoras, trabalhadoras, pais, filhos, irmãos, avós, amigos... eram seres humanos. Eles se foram... E sei que esta partida não estava em seus planos. Quando não temos planos em certos pontos de nossa vida, geralmente vivemos totalmente despreocupados quanto a eles. Essa nossa despreocupação muitas vezes, faz-nos adiar atitudes e gestos que seriam importantes para nós e para outros. Talvez muitos que estavam no vôo JJ 3054, adiaram pequenos gestos que fariam toda a diferença. Um beijo sincero, um abraço apertado, um pedido de perdão, um “eu te amo”, ou até mesmo um simples “ Oi”.... É que eles prometeram para si mesmos que voltariam, e essas atitudes poderiam simplesmente serem executadas depois, talvez na volta quem sabe. Eles se esqueceram de suas impotências diante do futuro, esqueceram que eram limitados quanto ao minuto que viria. Foram pegos de surpresa....E se fosse eu ou você no lugar deles? Estaríamos preparados? Seriamos capazes de enfrentar a morte com dignidade, sem medo ou arrependimento do que fizemos ou deixamos de fazer? No posto de gasolina que fica junto ao local do acidente, foi encontrado um veículo em chamas. No seu interior estavam carbonizadas mãe e filha pequena abraçadas. Esse foi o ultimo gesto de amor entre as duas, para elas ainda deu tempo de darem o ultimo abraço. E os outros? Quantos gostariam de ter abraçado seus filhos, pais, parentes, namorados ou amigos antes de partirem? O tempo e o fogo não esperaram e nem respeitaram o desejo deles. Neste exato momento o fogo do acidente já cessou, mas o tempo não cessa e continua a voar. E a mensagem que eu tenho para você é esta: Não espere o tempo passar, o tempo é agora. Ame mais, abrace mais, beije mais e perdoe muito mais... O dia do amanhã não nos pertence. Viva cada minuto, como se fosse o seu último minuto na face da Terra.
Beijos a todos e meus sentimentos às Famílias das vitimas.

1 comentários:

lelejego disse...

Parabéns Daline...Texto muito bom, com emoção e real.

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