Mídia

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Estamos de olho na imprensa poaense. Leia abaixo o texto sobre mídia de Leandro de Jesus Gomes, morador de Poá e estudante de Jornalismo na PUC- SP.
Resenha

RAJAGOPALAN, Kanavillil. Designação: a arma secreta, porém incrivelmente poderosa, da mídia em conflitos internacionais in MACHADO, Anna Rachel et al. Resenha. Ed. Parábola Editorial. São Paulo, 2004.
Mídia, palavra e poder

O livro Resenha, feito para dar subsídios ao leitor na criação de textos homônimos à obra, contém artigos de outras fontes que dão apoio à sua compreensão. Entre estes, está o de Kanavillil Rajagopalan, da referência acima. O artigo de Rajagopalan ocupa sete páginas das cento e vinte e quatro que compõem o livro. Ele inicia-se com duas epígrafes em inglês, as quais foram traduzidas pelos escritores do livro. A seguir está a Introdução e mais três seções. Ao final do artigo encontram-se as referências bibliográficas que serviram de apoio à produção do texto A Introdução relata como está o papel da mídia em conflitos bélicos. Afirma que a Guerra do Golfo inaugurou os conflitos como espetáculos comercializados e que as informações surgem conforme desejam os detentores de transmissão. Ao final desta seção, o autor expõe como sendo o objetivo do texto, a reflexão do modo utilizado pela mídia para imprimir certas interpretações, pelo simples ato de designação de determinados acontecimentos. Informa também que sua tese é aquela na qual no uso político de nomes e apelidos está o poder de influenciar a opinião pública. A primeira seção é responsável por dar sustentação teórica aos fatos que irão ser postos nas próximas seções. Trata de estudos referentes às especificidades de nomes próprios e de objetos nomeados. Em sua composição, há citação de outros autores e suas teses referentes ao funcionamento do nome próprio. Contudo, afirma ser mais interessante verificar que “as descrições são nada mais que representações verbais de atributos e se os atributos são da ordem de acidentes (e não de essência), é no nome próprio que devemos encontrar algo no objeto de forma inalienável”. A segunda seção trata mais especificamente sobre jornalismo e escolha de termos de designação. Ela inicia-se com uma observação importante. Diz que as pessoas comuns são influenciadas por acreditar que o nome próprio está livre de qualquer marca de predicação. No entanto, o jornalismo imprime seu ponto de vista na produção de termos de designação em novos acontecimentos, lugares, ou até mesmo para indivíduos. Exemplifica estes argumentos com os termos criados no pós - 11 de Setembro de 2001, e como eles influenciaram o posicionamento dos sujeitos diante dos acontecimentos. Contudo, deixa uma ressalva. Relata que ás vezes os nomes escolhidos podem não ter o efeito desejado e se voltarem a quem o criou. A última seção expõe a conclusão do artigo. Ela reafirma o poder de designação dos termos. O escritor proferiu que a imprensa, atrás de um disfarçado ato de referência neutro, está na verdade emitindo opiniões e julgando valores. Diz ainda que é neste ponto onde se concentra o perigo. O leitor desavisado ou ingênuo pode confundir descrição com termo referencial ou opinião com fato consumado. As epígrafes no idioma inglês, do artigo original de Rajagopalan, tornam-se um aspecto negativo, pois muitos leitores podem não compreendê-las. Esta questão foi resolvida pela tradução dos autores do livro. O autor, ao fazer o artigo, discutiu um assunto muito debatido por especialistas: a influência da mídia sobre os expectadores e a transmissão de informações por meio de espetáculo. É de conhecimento de todos o papel negativo que a mídia exerce diante destes aspectos. E sobre eles, Rajagopalan soube pôr novos pontos na discussão. A seção um tem um conteúdo mais complexo, pois, utiliza conceitos bem específicos sobre nome próprios. Porém, ao leitor a quem o texto se destina, é compreensível. A teorização de nomes próprios, desde seu contexto histórico e por meio de outros autores, foi essencial na compreensão do texto e na sustentação de sua tese. Esta seção foi pequena, mas mesmo assim, o autor demonstrou corretamente que um nome não é atribuído a algo ao acaso, e sim, contém precedentes contextuais que o envolve. Este conteúdo vai ao encontro da designação de termos das seções seguintes.A segunda seção é maior e contém diversos exemplos que facilitam a compreensão da tese do autor. Eles são claros e, já com base teórica da seção I, conseguem expor ao leitor como as palavras utilizadas pela mídia em diversos momentos, trazem consigo valores avaliativos e não neutros. Dominam exemplos de guerras e, mais especificamente a do Afeganistão. Isto, pois, os nomes designados a incidentes num conflito bélico são de forte valor, de grande poder de influência, numa situação que exige posicionamento entre os sujeitos, participantes ou não. Esta seção mostra ainda, que a influência por meio da designação, não é problema de algum setor específico da mídia. Relata que a mediação imparcial é feita por ambos lados num conflito. Há de se concordar com o autor, pois, a mídia através de seus diversos interesses, escondida numa transmissão imparcial inexistente, confirmada pelo autor, influencia o público. A mídia está numa posição que exige extremo cuidado no seu trabalho transmitido. Ele deve acontecer desde os verbos discendi, o quais podem repassar um determinado valor que não corresponde ao real, até conteúdo total informado. Contudo, interesses maiores, às vezes, superam o dever da imparcialidade. Eles vão desde os ideológicos até econômicos, como puderam ser vistos na Guerra do Afeganistão. Embora a seção um tenha sido um pouco dispare quanto á clareza das outras, não prejudicou a qualidade do texto. O autor entrou em um assunto já bastante discutido, mas com uma forma diferente, com embasamento teórico, conseguiu impor seu artigo. A tese inicialmente exposta foi explicada, compreendida e aceita.

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