27 junho, 2007

NARIZ DE PALHAÇO

Ontem compareci as inaugurações da nova Câmara DOS Vereadores, da Praça da Bíblia, do tal centro Cultural Taiguara e da Rua José Calil. Um projeto do Executivo, com total apoio da câmara, que consumiu desesperados 4,5 milhões de reais dos cofres públicos para consolidar um sonho da Família Marques – segundo as palavras do próprio prefeito Roberto Marques. Estavam lá a “multidão” de membros do executivo e legislativo, funcionários e afins da prefeitura, todos muito sorridentes e alegres, e de certo modo incomodados com o meu nariz de palhaço. Pela minha cabeça passavam pensamentos e sonhos da família poaense enquanto assistia com direito a extravagante queima de fogos a realização do sonho (não da família poaense) mas da Família Marques. Confesso: senti-me pequeno, por um momento desesperançado. Vi a felicidade de alguns em detrimento de toda coletividade. Meu Deus! Os espertos se multiplicam e os puros jazem no ostracismo; os soberbos e arrogantes prosperam de mãos dadas com aqueles que pensam em seus próprios prazeres, e os humildes e honestos continuam uma minoria impotente. Senti-me intimidado, mas prossegui. Como um sorriso espontâneo a esperança brotou, pois esperança não é lutar porque vai dar certo, mas porque vale a pena. Tenho esperança, sem saber bem ao certo como será o amanhã ou se essa forma de protesto significou alguma coisa para os presentes ontem. Só estou certo de que vale a pena lutar pelo amanhã e que quero ser no mundo aquilo que gostaria de ver no mundo.

25 junho, 2007

O que será?

Enfim, amanhã é dia 26 de junho de 2007. Dia de inaugurações em Poá. Fico aqui do meu canto a observar aquele pedaço de Poá situado na Praça da Bíblia, sabe, ali na Nove de julho, com uma pirâmide azul, bem pertinho da padaria Chip’s, da locadora simultâneo (leia-se Júnior da Locadora) e do Center Poá (leia-se Edvaldo). Este pedaço é agora conhecido como “Ilha da Fantasia”. Temo que a fantasia seja de nós, eleitores, iludidos pela esperança de que vereadores iriam nos representar, lutar contra a desigualdade social, valorizar a educação e a saúde, promover o desenvolvimento sustentável do município. O pior é que não há exceções - vereadores que primam pela ética, transparência e coerência em seu compromisso com os mais pobres. É só observar em todas as votações sempre há unanimidade de votos. Não há ninguém que questiona ou que se sugere ou que principalmente fiscalize. Vereadores, Poá está nas ruas não nas xícaras de café. Pense no texto abaixo.
Um belo dia um
político foi atropelado e foi para o céu.Chegando lá São Pedro olhou para ele e disse:- Ola seja bem vindo senhor - ele cumprimentou São Pedro - mas temos um problema senhor, não é muito comum recebermos políticos sendo assim não sei o que fazer ao certo.O político falou:- Me leve para o céu e pronto.- Eu não posso fazer isso, sabe eu sigo ordens superiores. Faremos o seguinte você passará um dia no inferno e um dia no céu, a pois isto você escolhe para onde quer ir certo?O político aceitou. Eles foram para o elevador, desceram, desceram. Quando a Porta do elevador se abriu ele viu um clube de golfe lindo, onde estavam seus amigos políticos, muito bem vestidos comendo caviar e lagosta e sabe... o diabo até que é um cara muito simpático. Tudo estava tão bom que o tempo se passou e já era hora dele ir para o céu. Chegando ao céu ele passou o dia vendo as pessoas pulando de nuvem em nuvem, tocando harpa e tranqüilas. Chegando no final do prazo São Pedro perguntou:- Então qual sua escolha?Ele respondeu:- Sabe o que é, aqui no céu e muito tranqüilo e tal, mas o inferno eu me senti muito melhor. Lá é mais o meu jeito.- Certo, então é só pegar o elevador. Eles se despediram e quando a porta do elevador se abriu ele viu algo que parecia um deposito de lixo, seus amigos com roupas todas esfarrapadas e catando o lixo para por em sacos pretos. O diabo chega e poe braço sobre os ombros do político que gaguejando fala:- Mas ontem tinha lagosta e o campo...o que aconteceu??Com um sorriso no rosto o diabo fala:- Ontem estávamos em campanha, hoje já temos o seu voto.

20 junho, 2007

Mercado Popular

As recentes barracas que foram autorizadamente instaladas no centro de Poá estão instaladas em local proibido. Existe o descumprimento de regras estabelecidas por lei para a localização das barracas. Instalar barracas a menos de 20 metros de bens e monumentos tombados, a menos de 5 metros das faixas de pedestres e dos orelhões, em frente das portas das agências bancárias, sem obediência a distância mínima entre barracas e que prejudicam o meio ambiente, por exemplo, são exigências de qualquer administração que se preocupa com a política de desenvolvimento urbano.
O desorganizado mercado que está se ampliando na Praça do Relógio está ocupando as calçadas do centro impedindo a limpeza da área e o trânsito de pessoas, servindo às máfias do contrabando, do roubo de carga e da pirataria e deteriorando parte considerável do patrimônio arquitetônico, além do prejuízo ambiental.
Cumpre à Prefeitura tocar um projeto de geração de renda de maneira responsável e diligente e não de maneira irresponsável e ilegal onde se liberam verbas através do banco do povo para pessoas que estão diretamente ligados a suas secretarias não incentivando a livre participação dos interessados. É preciso instalar mercados populares em locais adequados, movimentados, em construções atraentes, além de se conceder por parte do governo municipal, incentivos para que os camelôs possam se estabelecer legalmente como pequenos lojistas, pois hoje só lhes resta servir às máfias.
O problema dos camelôs não pode ser encarado do ponto de vista assistencialista. Hoje, o negócio que antes garantia o pão de alguns desempregados transformou-se numa fonte de recursos do crime organizado.
Defendo, portanto, a livre iniciativa econômica para geração de renda através dos mercados populares, desde que estes sejam organizados e bem localizados, onde só mercadorias legais podem ser comercializadas e que o mesmo não seja apropriado por alguns poucos funcionários da prefeitura em detrimento de toda a coletividade.

BARRACAS

Leia abaixo o texto - barracas instaladas no centro da cidade, de Leandro de Jesus Gomes, morador de Poá e estudante de Jornalismo na PUC- SP.

Nos últimos dias, foram implantadas duas barracas (fixas por cimento) no centro de Poá. Bom, mas afinal, que mal tem isso?
Primeiro detalhe, elas foram implantadas na Praça do Relógio, logo em frente o túnel de pedestres. Isso se torna um grande empecilho ao se verificar que elas estão atrapalhando o trânsito de pedestres. Ressalta-se que não poucos, pois esta praça é o principal meio de acesso de pessoas que vêm do sul para o norte da cidade ou vice-versa. Além disso, vivemos um momento no qual se discute como deve ser a aparência dos centros urbanos. Um exemplo, na cidade de São Paulo acabou de ser concretizado o Projeto de Cidade Limpa, o qual visa diminuir a poluição visual, principalmente através da retirada de out-doors do município. Assim, logo após este exemplo, a prefeitura municipal de Poá autoriza a colocação desses empecilhos em plena praça, em pleno local que deve preservar o verde, que deve permitir ampla visualização em se tratando de um centro que precisa de segurança. Este é o segundo detalhe. O local vem sendo segurado por policiais militares. As instalações das bancas atrapalham a visualização de toda a área. Terceiro detalhe. Elas ficam localizadas próximas a uma faixa de pedestre e logo em frente do retorno disponibilizado aos taxistas. Se uma pessoa passar despercebida pelo local, pode ocorrer acidente. Ah, há mais um detalhe. Não parece serem regulares produtos “genéricos” que ali são vendidos. Então, prefeitura, olhe o alerta.

Parece que serão implantadas mais barracas e que elas estariam sendo financiadas pelo Banco do Povo. Não se quer aqui destituir o trabalhador de um local para trabalhar. No entanto, é necessário numa sociedade civilizada e democrática que o espaço público seja normatizado, justamente por ser público e de todos.

Já que se quer disponibilizar uma área para que pessoas (não sei se somente trabalhadores) montem sua atividade comercial, fica aqui uma sugestão: colocar estas bancas em parte do Terminal de ônibus, já que o mesmo não é totalmente utilizado pelas empresas. Lá há um ótimo espaço para implantá-las.

Pergunta-se agora. Para que serve o departamento de Meio Ambiente da prefeitura se ele permite que isto ocorra em plena área verde. Bom, se pensarmos que foi permitido aquele ato contra a praça da Bíblia (desconfiguração para fazer uma que nem foi “construída” ainda), Poá continuará a ter este desleixo por questões ambientais. Parece que nossos governantes não souberam do Painel Intergovernamental da ONU para questões do Meio Ambiente, o qual prevê catástrofes em nosso planeta se não cuidarmos melhor do ecossistema.

19 junho, 2007

Mídia

Estamos de olho na imprensa poaense. Leia abaixo o texto sobre mídia de Leandro de Jesus Gomes, morador de Poá e estudante de Jornalismo na PUC- SP.
Resenha

RAJAGOPALAN, Kanavillil. Designação: a arma secreta, porém incrivelmente poderosa, da mídia em conflitos internacionais in MACHADO, Anna Rachel et al. Resenha. Ed. Parábola Editorial. São Paulo, 2004.
Mídia, palavra e poder

O livro Resenha, feito para dar subsídios ao leitor na criação de textos homônimos à obra, contém artigos de outras fontes que dão apoio à sua compreensão. Entre estes, está o de Kanavillil Rajagopalan, da referência acima. O artigo de Rajagopalan ocupa sete páginas das cento e vinte e quatro que compõem o livro. Ele inicia-se com duas epígrafes em inglês, as quais foram traduzidas pelos escritores do livro. A seguir está a Introdução e mais três seções. Ao final do artigo encontram-se as referências bibliográficas que serviram de apoio à produção do texto A Introdução relata como está o papel da mídia em conflitos bélicos. Afirma que a Guerra do Golfo inaugurou os conflitos como espetáculos comercializados e que as informações surgem conforme desejam os detentores de transmissão. Ao final desta seção, o autor expõe como sendo o objetivo do texto, a reflexão do modo utilizado pela mídia para imprimir certas interpretações, pelo simples ato de designação de determinados acontecimentos. Informa também que sua tese é aquela na qual no uso político de nomes e apelidos está o poder de influenciar a opinião pública. A primeira seção é responsável por dar sustentação teórica aos fatos que irão ser postos nas próximas seções. Trata de estudos referentes às especificidades de nomes próprios e de objetos nomeados. Em sua composição, há citação de outros autores e suas teses referentes ao funcionamento do nome próprio. Contudo, afirma ser mais interessante verificar que “as descrições são nada mais que representações verbais de atributos e se os atributos são da ordem de acidentes (e não de essência), é no nome próprio que devemos encontrar algo no objeto de forma inalienável”. A segunda seção trata mais especificamente sobre jornalismo e escolha de termos de designação. Ela inicia-se com uma observação importante. Diz que as pessoas comuns são influenciadas por acreditar que o nome próprio está livre de qualquer marca de predicação. No entanto, o jornalismo imprime seu ponto de vista na produção de termos de designação em novos acontecimentos, lugares, ou até mesmo para indivíduos. Exemplifica estes argumentos com os termos criados no pós - 11 de Setembro de 2001, e como eles influenciaram o posicionamento dos sujeitos diante dos acontecimentos. Contudo, deixa uma ressalva. Relata que ás vezes os nomes escolhidos podem não ter o efeito desejado e se voltarem a quem o criou. A última seção expõe a conclusão do artigo. Ela reafirma o poder de designação dos termos. O escritor proferiu que a imprensa, atrás de um disfarçado ato de referência neutro, está na verdade emitindo opiniões e julgando valores. Diz ainda que é neste ponto onde se concentra o perigo. O leitor desavisado ou ingênuo pode confundir descrição com termo referencial ou opinião com fato consumado. As epígrafes no idioma inglês, do artigo original de Rajagopalan, tornam-se um aspecto negativo, pois muitos leitores podem não compreendê-las. Esta questão foi resolvida pela tradução dos autores do livro. O autor, ao fazer o artigo, discutiu um assunto muito debatido por especialistas: a influência da mídia sobre os expectadores e a transmissão de informações por meio de espetáculo. É de conhecimento de todos o papel negativo que a mídia exerce diante destes aspectos. E sobre eles, Rajagopalan soube pôr novos pontos na discussão. A seção um tem um conteúdo mais complexo, pois, utiliza conceitos bem específicos sobre nome próprios. Porém, ao leitor a quem o texto se destina, é compreensível. A teorização de nomes próprios, desde seu contexto histórico e por meio de outros autores, foi essencial na compreensão do texto e na sustentação de sua tese. Esta seção foi pequena, mas mesmo assim, o autor demonstrou corretamente que um nome não é atribuído a algo ao acaso, e sim, contém precedentes contextuais que o envolve. Este conteúdo vai ao encontro da designação de termos das seções seguintes.A segunda seção é maior e contém diversos exemplos que facilitam a compreensão da tese do autor. Eles são claros e, já com base teórica da seção I, conseguem expor ao leitor como as palavras utilizadas pela mídia em diversos momentos, trazem consigo valores avaliativos e não neutros. Dominam exemplos de guerras e, mais especificamente a do Afeganistão. Isto, pois, os nomes designados a incidentes num conflito bélico são de forte valor, de grande poder de influência, numa situação que exige posicionamento entre os sujeitos, participantes ou não. Esta seção mostra ainda, que a influência por meio da designação, não é problema de algum setor específico da mídia. Relata que a mediação imparcial é feita por ambos lados num conflito. Há de se concordar com o autor, pois, a mídia através de seus diversos interesses, escondida numa transmissão imparcial inexistente, confirmada pelo autor, influencia o público. A mídia está numa posição que exige extremo cuidado no seu trabalho transmitido. Ele deve acontecer desde os verbos discendi, o quais podem repassar um determinado valor que não corresponde ao real, até conteúdo total informado. Contudo, interesses maiores, às vezes, superam o dever da imparcialidade. Eles vão desde os ideológicos até econômicos, como puderam ser vistos na Guerra do Afeganistão. Embora a seção um tenha sido um pouco dispare quanto á clareza das outras, não prejudicou a qualidade do texto. O autor entrou em um assunto já bastante discutido, mas com uma forma diferente, com embasamento teórico, conseguiu impor seu artigo. A tese inicialmente exposta foi explicada, compreendida e aceita.

18 junho, 2007

Poá, onde você está?

Por Saulo Souza
A cidade é a base concreta da vida urbana. As ruas, as praças, os bairros, o centro, os estabelecimentos comerciais, as casas, os edifícios, os hospitais, as escolas, os terrenos, os vazios urbanos, o solo urbano são elementos que compõem a estrutura interna da cidade. Todos esses elementos, bem como a própria vida urbana, são constantemente modificados, produzidos e reproduzidos, pois o espaço urbano é socialmente produzido e está em permanente transformação. Dentre esses elementos, no processo de urbanização, a rua apresenta-se como lugar de realização de um tempo-espaço determinado. De simples caminhos mal traçados a largas avenidas, a rua continua sendo uma expressão do espaço urbano e uma expressão da vida humana. Na rua, a cidade manifesta-se, seja através do seu desenho ou da sua forma, seja enquanto lugar de realizações sociais. Portanto, a rua é onde se materializam as transformações na trama física e na paisagem da cidade e ainda é o lugar de manifestações das relações sociais e das diferenças. Assim, se por um lado, a rua “é um alinhado de fachadas, por onde se anda”, ou “caminho público ladeado à direita e à esquerda de casas, paredes ou muros no interior das povoações” ou ainda, “via pública para circulação urbana, total ou parcialmente ladeada de casas”, é antes de tudo “fator de vida das cidades”. Quem está na rua conhece a vida da cidade.
Executivo e legislativo da nossa cidade não estão nas ruas. Estão nos gabinetes – televisão e telefone, nas Padarias - Chips e Santa Helena, nos restaurantes - Recanto Mineiro e Maná Caiçara, nos condomínios fechados - Arujazinho e litoral, nos carros oficiais – compras e carona, nas reuniões - acordos partidários e cargos, enfim estão... Quer dizer, não estão. Homens públicos, a cidade está nas ruas não nas xícaras de cafés.

17 junho, 2007

Quero

Quero ser livre para pensar, sonhar e não constranger, rir e não decepcionar, falar e escrever sem sentir-me ameaçado. Viver sem medo de rótulos. Não vou dar atenção para aqueles que demonizam minhas inadequações. Quero viver sem as cobranças impiedosas de quem só deseja me usar. Não, não pemitirei amizades pontuais e interesseiras. Estou, a duras penas, me construindo, portanto, não me submeterei a pedradas. Quero ser parecido com Jesus, meu grande herói. Ele foi livre, descompromissado com as instituições e amigo de marginalizados. Quero seguir seus passos ainda que incoerente, cheio de erros, perplexo ou apavorado, mas seguindo. Sei que essa aventura me consumirá pelo resto de minha vida, mas é o que quero.

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